Vazamento no fisco francês expõe 678 mil registros e acende alerta
A autoridade tributária francesa confirmou a invasão do sistema da DGFiP, a Direção Geral de Finanças Públicas, com a extração de dados fiscais e pessoais de cidadãos e negócios. A intrusão, revelada no dia 12 de agosto e confirmada oficialmente no dia seguinte, expõe 678.438 registros e reacendeu o alerta para ataques físicos contra donos de bitcoin no país.
Segundo a confirmação oficial, o acesso ocorreu no fim de junho de 2026, depois de uma usurpação de identidade, e permitiu consultar e extrair dados de pessoas físicas e jurídicas, embora o número exato de afetados ainda esteja sob investigação.
O caso chama atenção porque a França é apontada como o país com mais casos de ataques com violência física para roubar crypto.
O desenvolvedor de bitcoin Jameson Lopp, que mantém um levantamento público dos ataques do tipo, escreveu no X que o caso pesa contra quem vive no país que lidera os ataques com chave inglesa, o termo usado para sequestros e agressões em que criminosos forçam a vítima a entregar as chaves das carteiras.
Segundo o levantamento do próprio Lopp, 2025 foi o pior ano registrado para esse tipo de crime, com mais de 70 casos documentados, e 2026 já soma 54 ataques.
Entre os dados expostos estão nome, data e local de nascimento, endereços, situação familiar, dependentes, número fiscal interno, renda declarada, alíquota de retenção na fonte, telefone, e-mail e o histórico de pedidos feitos à administração tributária.
O fisco que virou alvo
Entre os particulares afetados, 26.805 têm renda anual tributável de 100 mil euros ou mais, 386 passam de 1 milhão de euros e 8 superam 10 milhões, segundo a FrenchBreaches.
O hacker ZeroBytes disse ter obtido credenciais de VPN do fisco e começou a automatizar a extração antes de ser desconectado.
O mesmo criminoso foi associado a outras invasões na França, incluindo redes de supermercados e a federação de handebol, e ele pede alguns milhares de euros pela base completa.
Especialistas em segurança dizem que a mistura de identidade, contato e renda pode abastecer phishing convincente que se passa pela autoridade tributária, além de roubo de identidade e fraudes sob medida para o perfil de cada vítima.
O caso vem na esteira de outro incidente, da fabricante de carteiras Trezor, que alertou 13.689 clientes sobre dados de envio expostos.
Quando o vazamento vira risco físico
A França vive uma onda de ataques físicos contra investidores de crypto, e o caso mais conhecido foi o sequestro de David Balland, cofundador da fabricante de carteiras Ledger, e da esposa dele em 2025, resgatados depois de cerca de 24 horas sob custódia dos criminosos.
Com tantas rendas de contribuintes expostas, o medo é que os dados do fisco virem um mapa para criminosos escolherem alvos de alto valor.
O alerta ultrapassa o dinheiro e alcança a segurança física de quem acumulou bitcoin na França.
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