Bitcoin já recebeu 21 obituárias em 2026 e segue acima de US$ 63 mil
O bitcoin foi declarado morto 21 vezes apenas nos primeiros oito meses de 2026. A contagem vem do bitcoindeaths.com, um rastreador independente que cataloga desde 2010 cada artigo, tweet, entrevista e previsão que anuncia o fim da criptomoeda. No total, já são 475 obituárias registradas. E o bitcoin continua operando perto de US$ 63.500.
A matemática por trás da lista é curiosa. Se alguém tivesse comprado US$ 100 em bitcoin logo após cada uma das 475 declarações de morte, teria investido US$ 47.500 ao longo dos anos. Hoje, esse portfólio valeria cerca de US$ 65.606. Um lucro de US$ 18.106 só por ter feito o oposto do que os críticos recomendaram.
O padrão que se repete
O ano de 2026 já traz 21 obituárias, mas ainda está abaixo da média histórica de 27,9 mortes por ano. O recorde pertence a 2017, quando 93 críticos publicaram suas sentenças de morte contra o ativo. Em 2018 foram 74. Em 2012, nenhum. Os primeiros anos, de 2010 a 2012, foram comparativamente silenciosos, porque quase ninguém se dava ao trabalho de escrever a necrológio de algo que ainda valia centavos.
Os dados do Google Trends confirmam que o público acompanha esse jogo. A busca por “bitcoin is dead” atingiu pontuação máxima de 100 na primeira semana de fevereiro. Em junho, caiu para 52. Na semana passada, a busca praticamente desapareceu, registrando apenas 12. O pânico passou, pelo menos por enquanto.
Os críticos mais proeminentes da lista incluem Peter Schiff, Paul Krugman, David Tait, Steve Keen, George Noble e Ulrich Bindseil. A frase mais recente de Schiff, de 16 de junho de 2026, é repetitiva o suficiente para merecer destaque. “Na prática, para quem investiu, vai parecer zero. O bitcoin vai perder mais de 99% de tudo que vale, mesmo que ainda seja possível negociá-lo.”
Krugman, prêmio Nobel de economia, disse em dezembro de 2024 que o bitcoin “não é ouro digital, é digital Benjamins”. A frase soa elegante, mas ignora que o ativo já sobreviveu a quase 500 tentativas de enterrá-lo.
A realidade do preço
O bitcoin opera 50% abaixo do recorde histórico de pouco mais de US$ 126.000, atingido na primeira semana de outubro de 2025. É um drawdown significativo, mas comparável ao que aconteceu após o pico de 2017, quando o ativo despencou de US$ 20.000 para menos de US$ 4.000 e depois se recuperou. Naquele ciclo, 2017 e 2018 foram os anos com mais obituárias justamente porque o preço estava caindo forte. A mesma lógica se aplica agora. Preço em queda alimenta o otimismo dos críticos, que enxergam no drawdown a prova de que a tese finalmente colapsou.
O índice de medo e ganância do mercado cripto marca 31 pontos, sinalizando medo. É o tipo de ambiente em que as obituárias proliferam, porque o preço parece dar razão aos pessimistas. Mas a história mostra que o medo e as declarações de morte são frequentemente o pior momento para vender.
Nenhuma das 475 obituárias listadas se baseou em uma análise rigorosa da rede. Nenhuma verificou o hashrate em alta, a adoção institucional crescente, ou o fato de que a oferta circulante está cada vez mais concentrada em mãos de holders de longo prazo. As críticas se apoiam em preços, em comparativos com ouro, em declarações sobre regulamentação que nunca chegam da forma como são previstas.
O bitcoin já foi dado como morto em 2014, quando caiu de US$ 1.100 para US$ 200. Em 2018, quando despencou de US$ 20.000 para US$ 3.200. Em 2022, quando caiu de US$ 69.000 para US$ 15.500. Em todas essas ocasiões, o ativo se recuperou e estabeleceu novos recordes nos ciclos seguintes.
Com 19 semanas restantes em 2026, o número de obituárias pode facilmente superar a média de 27,9. Se o preço continuar pressionado, os críticos vão se intensificar. Mas o padrão é consistente há 17 anos. Cada ciclo de queda gera uma leva de necrológios, e cada recuperação os torna mais irrelevantes. O bitcoin não precisa que todos acreditem nele para funcionar. Ele precisa apenas de uma rede que opera 24 horas por dia, sete dias por semana, sem pedir licença a ninguém.
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