Bitcoin

Juros de títulos em máximas históricas e o bitcoin sem sair do lugar

São seis semanas de lateralização entre US$ 61,5 mil e US$ 66,9 mil, com o bitcoin em US$ 65,9 mil, segundo a CoinGecko. O intervalo começou em 8 de julho e sobreviveu a ataques de cada lado do range, com a volatilidade implícita encolhendo até as mínimas do ciclo. O gatilho de tudo isso está na maior corrida de títulos públicos em décadas, com o juro longo subindo e tirando a pressa de quem compra risco.

Títulos globais em máximas históricas

O juro do título de 30 anos americano chegou a 5,333% na terça-feira, algo que não se via desde 2007.

A onda é global. O Japão viu o juro de dez anos chegar a 2,95%, o maior desde 1996, enquanto a Alemanha levou o título de 30 anos a patamares de 2011 e a França, a máximas de 2008. O Reino Unido não ficou atrás, com o rendimento de 30 anos perto de 5,84%. Quando a dívida pública das maiores economias paga o melhor juro em quase duas décadas, o capital tem menos razão para procurar risco em qualquer lugar, e o crédito encarece para empresas e famílias no mundo inteiro.

A pressão apareceu primeiro nas bolsas. O índice Nasdaq caiu 1,3% na terça, a maior queda diária desde o início de agosto, e o S&P 500 anotou a terceira sessão seguida de perda. O bitcoin, dentro do range, virou o ativo que menos se mexeu em um dia em que praticamente tudo caiu.

O mercado espera o Federal Reserve.

O Federal Reserve divulga hoje, às 15h no horário de Brasília, as atas do encontro de 28 e 29 de julho. O comunicado oficial manteve os juros entre 3,5 por cento e 3,75 por cento, mas a votação rachou em nove a três, com Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan pedindo alta de 0,25 ponto. Três dissidentes por aperto fazem deste um dos documentos mais observados do ano, porque qualquer sinal de que o comitê caminha para subir os juros muda a régua de todos os ativos de risco, do rendimento dos títulos ao preço do bitcoin.

Derivativos em modo espera

Nos derivativos, o mercado desfaz posições e não monta outras no lugar.

O open interest (OI) do bitcoin recuou para US$ 21,8 bilhões, abaixo do pico de US$ 23 bilhões registrado em 11 de agosto, segundo dados do CoinGlass. As liquidações das últimas 24 horas somaram US$ 190 milhões, e do total, US$ 113 milhões vieram de posições vendidas, os shorts. A maior posição derrubada foi de US$ 23,35 milhões na Hyperliquid. O encolhimento do OI com o preço parado indica que quem saiu não voltou e quem ficou não aumenta aposta.

O funding segue positivo, mas em nível baixo, com a taxa ponderada por posição em 0,0049 por cento. Falta alavancagem para um movimento forçado, e sobra cautela para manter o preço no lugar.

A volatilidade implícita vai na mesma direção. No vencimento de amanhã na Deribit, o mercado precifica um movimento de mais ou menos US$ 656, com as opções concentradas entre US$ 64 mil e US$ 65 mil. O basis dos futuros de agosto, em torno de 12 por cento anualizado, mostra uma aposta em alta que não chega a ser empolgação.

Compressão de volatilidade raramente dura sem resposta.

O juro de décadas mudou o custo de oportunidade de segurar qualquer ativo que não paga rendimento. Se as atas de hoje confirmarem a minoria disposta a subir os juros, o range ganha um motivo para romper. Se o comitê mantiver o tom paciente, o bitcoin continua sendo o ativo que não cedeu enquanto o resto do mundo pagava o preço dos títulos.

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