Telegram quer transformar usuário em endereço na web com domínio .gram
Telegram quer transformar usuário em endereço na web com domínio .gram
O Telegram entrou na disputa por um pedaço próprio da internet. A empresa pediu à ICANN o domínio de topo .gram para que cada nome de usuário vire um endereço na web no formato seunome.gram. A ideia é que o dono do handle possa colocar no ar uma página interativa com hospedagem do próprio mensageiro e criação com um só comando de inteligência artificial. O anúncio, feito por Pavel Durov em 18 de agosto, tenta transformar identidade de aplicativo em endereço da web aberta.
A proposta tenta levar para fora do aplicativo o que já funciona como identidade lá dentro. Hoje o username serve para contato, buscas e pagamentos via TON. Com o .gram, esse identificador ganharia página na web aberta, com hospedagem do próprio Telegram. Um comando em linguagem natural geraria o site, sem construtor manual e sem código.
Se a ICANN aprovar, o alcance potencial é de um bilhão de endereços, a base informada pelo fundador para o mensageiro. Na prática, cada conta poderia reivindicar seu segundo nível dentro do .gram, algo inédito entre domínios de marca. Google e Amazon já operam seus próprios TLDs, mas sem abrir o inventário para o usuário final nesse modelo. O Telegram propõe o inverso, transformar um namespace corporativo em espaço pessoal.
Como o .gram sairia do username para a web
A rodada de 2026 da ICANN foi a primeira janela para novos domínios genéricos desde 2012 e se encerrou em 12 de agosto após 15 semanas. Foram mais de 1.600 candidaturas principais e cerca de 1.100 pedidos de strings alternativas como reserva. O .gram agora aguarda em uma fila onde cada sequência será examinada antes de avançar para as etapas seguintes. Nenhuma string dessa rodada foi liberada até agora, o que mantém todos os requerentes no mesmo estágio de espera e reflete o represamento de mais de uma década sem janela para novos sufixos.
A lista de candidaturas admitidas deve sair em meados de outubro, quando ficará claro quais pedidos seguiram para avaliação técnica, resolução de disputas e eventual contencioso entre quem pediu a mesma cadeia de caracteres. Depois ainda há negociação de contrato e delegação na zona raiz, etapas que costumam consumir meses mesmo quando não há conflito direto entre candidatos.
Para o Telegram, isso significa que não há data para lançar o .gram. Um endereço funcional dificilmente ficaria no ar antes de 2027, já que o cronograma depende integralmente da ICANN. Também segue em aberto se o domínio será gratuito ou se haverá cobrança e critérios de elegibilidade.
O token ainda não acompanha a promessa
Enquanto a fila anda, o token ligado ao ecossistema segue pressionado. O Gram, como a empresa passou a chamar o Toncoin desde junho, era negociado por volta de US$ 1,32, com alta de cerca de 1,5 por cento em 24 horas segundo a CoinGecko. No recorte de 90 dias, o recuo é de aproximadamente 34,5 por cento, de US$ 2,02 para o nível atual. A distância para a máxima histórica de US$ 8,25, de junho de 2024, é de cerca de 84 por cento. O valor de mercado gira em US$ 3,66 bilhões, o que deixa o ativo na 25ª posição por tamanho, com faixa histórica entre US$ 0,52 e US$ 8,25.
O mercado ainda não comprou a narrativa do domínio. A variação do dia ficou perto da estabilidade e o desempenho trimestral segue negativo, leitura que contrasta com a ambição de dar a cada usuário um site próprio onde hoje existe apenas um perfil dentro do aplicativo.
O pano de fundo ajuda a entender a aposta. Em 2026, o Telegram ampliou sua presença no ecossistema TON com carteira não custodial nativa dentro do aplicativo e com a operação do maior validador da rede. Levar o username para a web com hospedagem própria estende essa estratégia de pagamentos para publicação, mantendo o usuário dentro da órbita do mensageiro e reduzindo dependência de provedores externos. É menos um atalho de marketing e mais uma peça de infraestrutura.
Resta o crivo da ICANN. Se o .gram passar, cada handle vira endereço. Se travar em disputa ou reprovação, o projeto volta para a prateleira até a próxima janela, sem prazo definido.
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