ENA lidera altcoins com volume dez vezes maior na semana do rali
A Ethena liderou as altcoins com folga nos últimos dois pregões. A ENA subiu de 0,0881 para 0,1399 dólar entre a noite de quarta-feira e a tarde desta sexta, ganho de 58,78% com máxima de 0,1517 dólar nesta tarde. O bitcoin avançou 12,74% e o ethereum 15,62% no mesmo intervalo.
O dinheiro acompanhou o movimento. O volume das últimas 24 horas somou 1 bilhão de dólares, contra média diária de cerca de 50 milhões na semana passada.
O ranking que coloca a ENA na frente usa o recorte da análise publicada ontem aqui no LaboNews sobre as dez altcoins mais fortes do top 100 por valor de mercado. Stablecoins, versões embrulhadas de outros ativos, derivativos de staking e memecoins sem produto ficam fora pelo mesmo critério que já excluiu Pump e Pepe. Entre os 65 elegíveis restantes, a ENA lidera as últimas 48 horas com 58,78%, à frente do Bitcoin Cash com 41,84% e do XRP com 29,02%.

Por que o token disparou agora
A alta tem um marco concreto. Na quarta-feira dia 19, a FalconX, corretora institucional de ativos digitais, anunciou uma operação de crédito garantido de 1 bilhão de dólares com a Ethena, estruturada dentro de um veículo próprio de emissão.
A estrutura canaliza parte dos colaterais que sustentam o dólar sintético USDe para empréstimos supercolateralizados a clientes institucionais. O protocolo passa a cobrar juros sobre uma base de capital que ficava estacionada em títulos, fonte nova de receita sem mexer no balanço. O mercado precificou a mudança na mesma semana do anúncio.
O endosso veio em seguida. Arthur Hayes, cofundador da BitMEX, classificou a ENA como aposta de retorno múltiplo caso os juros dos derivativos sigam positivos e o bitcoin continue subindo, a mesma tese de rendimento que a operação da FalconX materializa.
Os números de mercado confirmam entrada real de dinheiro. O volume médio diário da ENA girava entre 39 e 62 milhões na semana passada, subiu para 88 milhões na quarta-feira e para 224 milhões na quinta, dez vezes o ritmo anterior em 24 horas. Nesta sexta o giro já soma 819 milhões na média do dia. As posições abertas nos perpétuos da Binance cresceram de 534 para 634 milhões de tokens desde a noite de quinta, alta de 19%.

O que sustenta o preço e onde está o risco
O detalhe que separa este rali de um repique alavancado está na taxa de financiamento. Os perpétuos seguem cobrando 0,0050% a cada oito horas desde quinta, patamar neutro. A ausência de prêmio mostra compra à vista, sem empilhamento de posições alavancadas.
A leitura de fundo passa pelo modelo de negócio da Ethena, que emite o USDe, dólar sintético com 4,07 bilhões em circulação, e remunera quem trava o token no staking com o rendimento dos colaterais. O esquema depende de taxa de financiamento positiva nos derivativos, dependência que derrubou a ENA quando os juros dos perpétuos colapsaram no primeiro semestre.
A mínima histórica de 0,0702 dólar é de 30 de junho, sete semanas atrás. Desde então o papel quase dobrou de valor, e ainda negocia 91% abaixo do recorde de 1,52 dólar de abril de 2024.
O contexto institucional reforça a narrativa. A Anchorage Digital Bank, primeiro banco crypto com regulação federal americana, expandiu a parceria com a Ethena e assumiu a gestão de colaterais do braço de crédito do protocolo. A mesma instituição é emissora do USDtb, a versão americana e regulada do USDe.
Nem tudo é linha reta. O valor bloqueado no protocolo cresceu só 1,2% em 30 dias, muito abaixo da valorização do token.
O risco imediato é mecânico. Depois de subir tanto em dois dias, qualquer realização de lucro encontra território sem histórico recente, já que a ENA não negociava perto dos 0,15 dólar desde o fim de janeiro. O recuo de 8,5% desde a máxima mostra vendedores ativos nesse preço esquecido há quase sete meses.
Dois sinais medem a continuidade. Volume diário firme acima dos 300 milhões dá base própria ao movimento, e taxa de financiamento em disparo junto com o preço anuncia a fase alavancada.
A matéria de ontem terminava com o mercado escolhendo onde entrar dentro do rali do bitcoin. A escolha da semana ficou evidente.
O fluxo concentrou no token que transformou rendimento de colateral em negócio de crédito institucional, com volume e posições abertas confirmando a entrada. Cabe aos próximos pregões dizer se a liderança sobrevive ao fim do impulso de três dias.
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