Macro

Zeberg alerta para a última fase do rali da bolha da tecnologia

O economista Henrik Zeberg classificou o rali atual das ações de tecnologia como a última fase de uma bolha que se acumula há mais de duas décadas. Em post publicado na sexta-feira em uma rede social, o macrostrategist da Swissblock pediu que investidores aproveitem o movimento, mas advertiu que ele não deve durar. A mensagem carrega um aviso direto para quem assume posição de compra de longo prazo neste momento.

A advertência trata o topo como próximo, não como algo já ocorrido.

Segundo o post, a queda das empresas de tecnologia deve lembrar o estouro da bolha do ano 2000. A economia real, na mesma leitura, sofreria mais do que na crise de 2008 e 2009. Zeberg fez questão de marcar que o movimento teria espaço para continuar antes de esgotar, separando a visão de curto prazo da tese estrutural. A ressalva é o ponto que mais chama atenção em uma mensagem de alerta.

O autor se declarou comprado no curto prazo, enquanto considera equivocada a tese de quem acredita em alta duradoura.

O argumento técnico apoia a leitura. Zeberg mapeia o avanço do Nasdaq 100 desde o início dos anos 2000 em uma estrutura de ondas. O período de 2007 a 2009 entra como um respiro e o intervalo de 2018 a 2020 como outro, e o índice estaria agora na quinta e última onda do ciclo. A fase é descrita como um momento de aceleração, em que o otimismo vira certeza e o preço se distancia dos fundamentos conforme o ciclo avança para o ponto de virada.

O economista compara o momento ao ambiente de 1929, pouco antes da Grande Depressão.

A partir das linhas de extensão, a projeção aponta um pico na faixa entre 36 mil e 38 mil pontos do Nasdaq 100. Atingir esse nível representaria uma alta de cerca de 20% sobre o patamar atual. O número é uma estimativa de estrutura, não uma promessa de data, e Zeberg ressalta que o índice ainda não chegou à formação que ele considera o ápice.

O argumento técnico da última onda

O índice negociava ao redor de 29.300 pontos nesta semana, com cerca de 16% de ganho no ano.

Zeberg entende que o impulso de curto prazo ainda pode levar o índice para cima, sustentado por liquidez residual e pelo fluxo para o setor. É justamente essa força que, somada à confiança crescente, costuma encerrar ciclos longos, como ocorreu em momentos anteriores de euforia. Antes de virar, o índice chegou a operar perto de 30.700 pontos e depois recuou, sem perder a leitura de fase final.

Na leitura dele, a alta não terminou, mas a margem de erro diminuiu.

O que muda para o investidor

Para o investidor, a recomendação separa o jogo curto do jogo longo. Quem opera o momento de alta pode se beneficiar, desde que entenda que ele ocorre em uma fase final. Quem constrói posição permanente entra, na visão do economista, em um momento desfavorável.

Essa distinção importa para o mercado de criptoativos também. O bitcoin negociou perto de US$ 77 mil nesta semana, e o apetite por risco que sustenta o setor costuma vir acompanhado da dinâmica das ações de tecnologia. Quando o ciclo das empresas de alta cresce, ativos de risco em geral tendem a seguir o mesmo caminho, e o reverso vale na correção.

Os índices americanos operaram perto das máximas nesta semana. O Nasdaq Composite ficou em torno de 26.180 pontos e o S&P 500 perto de 7.674 pontos. O rali segue vivo no papel enquanto o alerta sobre a última fase ganha espaço no debate.

Em ensaios publicados ao longo deste ano, Zeberg descreveu o período como parte de um ciclo de contração que se prepara há tempo.

As reflexões apontam para um desfecho brusco quando a euforia perde a sustentação, em um movimento em que a confiança absoluta dos participantes costuma ser o último sinal antes da reversão. A descrição liga o avanço das ações de tecnologia à dinâmica mais ampla dos mercados de risco.

A leitura de Zeberg não pede uma venda agora. É um registro de que o ciclo chegou ao estágio maduro.

O que define o momento é o comportamento do mercado nos próximos meses. Se a euforia continuar a separar o preço dos fundamentos, a fase final se aproxima do desfecho. Se a correção vier antes, o ciclo encerra com menos euforia, mas a advertência sobre a bolha da tecnologia permanece válida.

A aposta do economista é que o rali termine como começou a era digital mais recente, com o setor de tecnologia pagando o preço mais alto do ciclo.

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