Blockchain

A Cardano estreou o token programável com uma ação que não vai ao mercado

A Cardano Foundation tornou o Veridian independente. O projeto de identidade que a fundação desenvolvia em casa virou uma companhia na Suíça, e as ações dela foram registradas na rede Cardano, no primeiro uso do padrão de tokens programáveis que a fundação lançou no dia anterior. Os papéis não estão à venda ao público.

O Veridian nasceu dentro da fundação e passou três anos em desenvolvimento antes de virar companhia. O que ele vende é a carteira de identidade da companhia, um aplicativo já publicado nas lojas do iOS e do Android, que emite credenciais verificáveis.

A proposta é diferente da de um cadastro central. Quem recebe uma credencial prova quem é sem que exista uma base única guardando os seus dados, e a verificação é imediata.

A direção ficará com Thomas A. Mayfield, engenheiro que chefiou as soluções de identidade e confiança descentralizada na própria fundação. Frederik Gregaard, executivo-chefe da Cardano Foundation, preside o conselho, e Nicolas Jacquemart, o diretor jurídico da fundação, também entrou no colegiado. A fundação segue ao lado da companhia no trabalho de levar a identidade verificável para dentro da Cardano.

O que o token programável faz

O padrão se chama CIP-0113 e entrou na rede principal em 7 de outubro. A ideia é simples quando descrita. Em vez de deixar cada token igual a todos os outros, o emissor escreve regras que acompanham o ativo e que a própria rede confere a cada movimentação.

Entre as regras previstas estão a lista de quem pode receber, a restrição de transferência e a possibilidade de congelar ou recolher o ativo. Isso resolve um problema prático de quem opera sob regulação. Em produtos regulados, entre eles stablecoins, fundos e ações tokenizadas, o emissor muitas vezes precisa barrar um endereço, cumprir uma ordem judicial ou bloquear uma conta sancionada.

A fundação afirma que o padrão usou recursos que a Cardano já tinha e não exigiu mudança de protocolo, o que dispensa uma atualização de rede. O CIP-0113 parte de uma especificação anterior, a CIP-0143, e foi reescrito para ser usado por mais desenvolvedores.

Uma ação fora do mercado

O Veridian tem 1 milhão de ações, e a maior parte delas foi tokenizada. Nenhuma foi oferecida ao público. A emissão é de uma companhia fechada, e os papéis ficam com os sócios.

As ações foram emitidas sob a lei suíça que permite registrar valores mobiliários em livro digital, um regime criado pelo país para dar validade jurídica a esse tipo de registro. Na prática, a própria rede carrega o registro oficial da participação.

Para o executivo-chefe da fundação, o caso encerra uma conversa antiga. Ele diz que se fala em ações tokenizadas há anos e que agora existe uma empresa em operação na Cardano fazendo isso na prática.

Onde a empresa quer crescer

O primeiro mercado citado é o dos Estados Unidos. A fundação afirma que o Veridian já mapeou os requisitos do programa estadual de identidade digital endossada pelo governo de Utah, criado por uma lei que entrou em vigor em maio. A companhia pretende levar o mesmo tipo de contrato a outros estados.

Na Europa, o alvo são empresas. Na Ásia-Pacífico, emissores de credenciais. A companhia pretende buscar sócios e investidores estratégicos em 2027 para bancar essa expansão.

Há ainda um cliente menos convencional. O Veridian também quer emitir credenciais para agentes de inteligência artificial, para que um programa consiga provar por quem age e o que está autorizado a fazer. Um sistema de pagamentos para agentes que roda na Cardano, o Masumi, já usa a plataforma.

O que o caso mostra é o desenho do padrão. A fundação não disse quantas ações exatamente foram levadas à rede nem quanto vale a companhia, e a lista de sócios não foi divulgada.

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