IA e Tecnologia

A IA põe o mercado ao alcance de qualquer um

O investidor Ray Dalio descreveu nesta semana o que considera a próxima fase do mercado financeiro. Na leitura dele, começou um período em que a IA serve para ganhar dinheiro em investimentos, e a ferramenta deixa de ser exclusividade de quem tem uma estrutura grande por trás. A ressalva vem junto. O que decide o resultado é a capacidade de competir.

A afirmação foi feita em entrevista exibida nos últimos dias. Para ele, o que está em jogo é o método de decisão, uma mudança que ele diz estar apenas no começo.

Quem fala construiu a Bridgewater Associates e afirma que ela segue a maior do mundo. Ele relata ter começado a gestora em um apartamento. O tipo de sistema que levou anos para erguer cabe hoje em um computador comum.

O que ele chama de sistema é um conjunto de regras escritas. Cada decisão de compra ou venda segue critérios definidos antes, e a máquina aplica e revisa esse conjunto conforme os dados mudam. O ganho mora na repetição de um processo. Acertar um palpite isolado não sustenta nada.

O que muda, na visão dele, está no acesso. A mesma análise que exigia uma equipe numerosa passa a caber em um computador e em uma base de dados, o que abre a porta para quem nunca teve capital para montar um fundo.

Se o instrumento é o mesmo para todo mundo, o que sobra de diferente é o que cada um constrói em cima dele. Ele resume a questão em uma frase sobre competir. O software abre o jogo, e o ganho fica com quem usa melhor a mesma ferramenta.

Ele puxa a origem da ideia para trás. A IA nasceu como campo de estudo em 1956, diz, e passou por várias formas desde então. O princípio sobreviveu a todas. Ele consiste em entender relações de causa e efeito e transformar isso em um sistema.

O alerta que sai da mesma pessoa

O mesmo Dalio, dois dias depois, fez um alerta que corre na direção oposta. Em um encontro de executivos em Singapura, ele disse que a expansão da IA reúne as marcas de uma bolha. Por trás do avanço está dinheiro emprestado, e o custo dele subiu. Ele coloca a tecnologia no mesmo grupo de forças que estuda há anos, junto do endividamento, da política interna e da geopolítica.

Ele aponta três peças para o desfecho. A dívida acumulada para financiar a corrida, os juros em alta e a dificuldade de transformar patrimônio em dinheiro. Uma bolha, na leitura dele, costuma furar quando muita gente precisa vender o que tem para pagar o que deve.

Ele vê um deslocamento em curso dentro dessa mesma corrida. O dinheiro deixaria de premiar só quem constrói a infraestrutura e passaria a procurar quem usa a ferramenta para mudar o próprio negócio de dentro.

O pano de fundo fiscal

Os Estados Unidos gastam perto de US$ 7 trilhões por ano e arrecadam cerca de US$ 5 trilhões, nos números que ele repete. Quem cobre a diferença são investidores de fora, e parte deles, como China e Japão, vem reduzindo a exposição.

A corrida da IA pressiona o mesmo mercado de crédito. A emissão de dívida ligada ao setor deve se aproximar de US$ 570 bilhões neste ano, depois de mais que dobrar sobre 2025, na estimativa do Morgan Stanley.

A disputa entre países entra no mesmo pacote. Para ele, existe uma guerra econômica em torno da tecnologia, e os modelos chineses, mais baratos e muitos deles abertos, já são usados em escala maior por lá. Ele evita apontar um vencedor.

Na última pergunta da entrevista, sobre o que o investidor precisa levar em conta antes de decidir onde colocar o dinheiro, a resposta dele foi curta. O maior risco que alguém carrega hoje, disse, é o de concentração, o de ter o resultado amarrado a poucos papéis que já subiram muito.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *