Macro

A Citi espera corte nos leilões longos do Tesouro, e a decisão sai em 4 de novembro

Circulou nesta semana que o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, pode reduzir a oferta de papéis de prazo longo e até tirar do calendário os leilões do papel de 20 anos, com a leitura de que a medida ajudaria o bitcoin. A origem não é o Tesouro. É uma projeção do Citigroup, do estrategista-chefe de juros para os Estados Unidos da casa, Jason Williams, publicada na sexta-feira, e a mudança, se vier, será anunciada no calendário do trimestre, em 4 de novembro.

O cenário central do banco corta 3 bilhões de dólares de cada leilão de 20 e de 30 anos, com a diferença coberta por emissões curtas. Na nota, o estrategista escreve que, diante da chance de corte ou até de cancelamento do papel de 20 anos, esse título poderia render mais que o de 10 anos. É uma aposta de casa de investimento, não uma decisão da autoridade.

O Tesouro já recompra papéis longos

O terreno para essa aposta foi construído nos últimos meses. Em agosto, Bessent chamou de giro do Tesouro a operação de trocar dívida longa por dívida curta, comprando papéis longos e pagando com emissões de prazo menor. As recompras de títulos antigos e menos negociados foram ampliadas e passaram a valer desde 9 de setembro, com vigência até 4 de novembro.

O efeito apareceu nos preços. A medida diminui o papel longo disponível e empurra o juro dessa ponta para baixo, e virou tema de debate entre economistas, que discutem se ela apenas troca dívida longa por dívida curta, que precisa ser renovada mais cedo.

Onde a ponta longa está agora

O ponto de partida é caro. Na semana passada, o papel de dez anos rondava 5,3%, e o de trinta anos bateu 5,7%, patamar que não se via havia cerca de 24 anos. Nesta quinta-feira, o Tesouro ofertou um papel de 29 anos e 10 meses, reabertura do papel de 5 e 1/8 por cento.

É nesse quadro que entra a conclusão sobre o bitcoin. Menos oferta de papel longo tende a pressionar o juro dessa ponta para baixo, e juro menor costuma favorecer ativos de risco. A conclusão sobre o bitcoin é de quem publicou a mensagem, e não do banco, que fez uma aposta entre títulos, e não sobre a moeda digital.

A decisão sai em 4 de novembro, no calendário do trimestre. Até lá, o corte dos leilões longos é expectativa de banco, e não plano anunciado.

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