A Citi leva a stablecoin ao checkout e o lojista recebe em dólar
A Citi passou a oferecer aos clientes institucionais a opção de aceitar stablecoin no checkout da sua plataforma de pagamentos, o Spring by Citi. É por essa plataforma que o banco recebe pagamentos no comércio eletrônico hoje. Quem compra paga em stablecoin, a Coinbase Payments processa e converte o valor, e a Citi faz a liquidação na função de banco de registro da operação. Na conta de quem vende entra dólar.
O alcance anunciado são os 150 milhões de pessoas que já têm stablecoin no mundo, sem que o lojista precise guardar, custodiar ou administrar a stablecoin que recebe.
O que muda no balcão
O Spring já opera pagamentos instantâneos no comércio eletrônico e débito automático, com liquidação direta na conta que o cliente mantém na Citi. A stablecoin entra como mais uma forma de pagar, ao lado do cartão e da transferência imediata. Chave privada, carteira e taxa de rede ficam fora da operação, e quem vende não vê nada disso.
A peça que converte o valor não é do banco. Ela vem da Coinbase, que entra na operação como processadora do pagamento em stablecoin.
A primeira fase do acordo cuidava do dinheiro que entra e sai pelas rampas da Coinbase, o trecho em que a moeda corrente vira ativo digital e volta, e foi fechada em outubro de 2025. O checkout é o primeiro produto da parceria que chega ao caixa de quem vende. Antes dele, tudo o que as duas empresas tinham anunciado ficava no trecho invisível do pagamento, entre a conta bancária e a carteira.
O mesmo desenho foi montado nos dois sentidos de um pagamento, com o banco em uma ponta e a exchange na outra, e cada lado com uma função fixa.
No sentido inverso, a Coinbase escolheu o produto de contas virtuais da Citi, um serviço bancário que a Citi vende a empresas, para sustentar as Coinbase Virtual Accounts. Elas funcionam como uma conta de banco para aceitar, manter e enviar dinheiro, com o saldo em dólar que entra virando stablecoin automaticamente. A Citi chama a conversão de inédita no setor. A documentação da Coinbase registra a paridade de 1 para 1 em USDC, depósitos por ACH e Fedwire e a rede Base como destino.
A Citi movimenta perto de US$ 6 trilhões por dia, entre compensação, transferências e cobrança. A carteira de clientes do banco inclui 15 entre as 20 maiores fintechs e 90% das maiores companhias de comércio eletrônico do planeta.
Do lado da Coinbase, as transferências em stablecoins passaram de US$ 37 trilhões neste ano, e 79% saiu do USDC e das moedas de parceiros.
A receita com stablecoin somou US$ 292,1 milhões no segundo trimestre, o equivalente a 24% do faturamento líquido de US$ 1,22 bilhão. O saldo médio em USDC mantido nos produtos da empresa chegou a US$ 20 bilhões, acima de 30% do USDC em circulação.
O que ainda não está definido
Nenhuma das duas empresas diz se o serviço já está no ar ou se ainda é um teste, e o anúncio sai sem data de início para os lojistas.
O texto da Citi afirma que o banco vai habilitar a aceitação, e o da Coinbase diz que quem é cliente institucional já pode receber. Nenhuma das duas informa quais lojistas participam, quais stablecoins e redes valem nesta etapa, quanto custa a operação ou quando ela sai dos Estados Unidos. Na fase de 2025, os comunicados também não distinguiam serviço ativo de teste.
A lei americana das stablecoins entra em vigor em 18 de janeiro, no início de 2027, e a partir de julho de 2028 as plataformas só poderão oferecer stablecoins de emissores licenciados. A lista aceita no checkout sai dessas regras.
A Citi também está no consórcio de 21 bancos que planeja emitir uma stablecoin própria no primeiro semestre de 2027 e, no mesmo movimento, ligou a liquidação em dólar de 24 horas por dia ao Citi Token Services, trilho do próprio banco para pagamentos entre países fora do horário comercial.
A aposta das duas empresas é que a adoção venha pelo caixa e pela tesouraria, sem que a empresa precise tocar na stablecoin. A divisão de trabalho é a parte fechada do anúncio.
O prazo para comentar a proposta do Tesouro americano sobre quem pode emitir stablecoins no país termina em 19 de outubro, e é dessa regra que sai boa parte da definição sobre o que pode aparecer no balcão de quem vende.
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