Segurança

A Ledger achou um chip escondido na carteira, e ele passa no teste da fabricante

A fabricante de carteiras físicas Ledger confirmou no sábado, 10 de outubro, que o aparelho de um dos usuários atingidos pelos saques indevidos continha um implante de hardware não autorizado. O aviso saiu no canal de suporte da empresa, que diz estar procurando os clientes afetados e abriu um endereço para receber informações. O revendedor envolvido, o CryptoBilis, que atende Indonésia, Malásia e Filipinas, confirmou que parou de vender todo o estoque de carteiras até o fim da investigação. O caso nasce do rastro que já detalhamos na matéria de sexta-feira.

A fabricante separa o episódio da própria estrutura. Segundo a nota, não há indício de que a infraestrutura, os sistemas ou os serviços da Ledger tenham sido comprometidos, e a empresa afirma trabalhar com as autoridades e com o coletivo de segurança SEAL 911 para chegar aos responsáveis.

Sobre o alcance, a nota não fecha nenhuma das três pontas. Não há confirmação de quantos clientes foram atingidos, do valor das perdas, nem de que o implante tenha causado os saques.

O implante escuta a tela na hora de criar a carteira

O componente extra fica escondido na espuma atrás da tela e se liga às linhas que levam os dados até ela. Quando o aparelho exibe na tela a frase de recuperação, para o dono anotar, o implante lê as palavras uma a uma e guarda a sequência. Depois, envia tudo por uma conexão de celular embutida, com módulo de rede, chip de operadora e antena de fio.

Isso explica por que o teste de autenticidade da própria Ledger não resolve o problema. O elemento seguro do aparelho segue original, gera a chave e assina como sempre, e a verificação confirma justamente que esse elemento é legítimo. A documentação da empresa diz que ela não detecta modificações físicas que deixem esse elemento intacto, caso dos implantes. O sinal mais visível é um fio de antena fora de lugar, e ele só aparece abrindo a carcaça. A caixa chega sem marca de violação.

As orientações da fabricante para quem comprou do revendedor

Para quem comprou desse revendedor, a orientação é não iniciar a configuração se ela ainda não aconteceu. Se o aparelho já foi configurado, o caminho indicado é transferir os ativos para um aparelho novo, comprado na própria fabricante, e criar uma frase de recuperação inédita. Proteger o aparelho com uma senha extra também não resolve, porque o implante lê o que passa na tela. A empresa repete que nunca pede as 24 palavras e que aparelho novo não chega com a frase pronta na caixa.

O dinheiro continua em movimento. As estimativas das análises on-chain passaram de 86 milhões de dólares, número que já publicamos, para perto de 93 milhões, e a fabricante não confirma as cifras. Parte saiu em USDT e foi bloqueada pela emissora da stablecoin. A parcela em USDD ficou fora desse alcance.

Um aparelho foi confirmado com o implante até agora. Se o restante do lote saiu da mesma oficina é a pergunta que a investigação ainda não fechou.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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