A Tether trava US$ 2,76 milhões há um ano e o caso foi à Justiça
A Conduit, empresa de pagamentos que movimenta dinheiro entre países, entrou com um processo contra a Tether na Justiça federal de Nova York. O motivo é um congelamento de US$ 2,76 milhões em USDT que já dura mais de um ano. Segundo a empresa, a carteira era o seu capital de giro, funcionava como conta de trabalho e segue bloqueada sem ordem de autoridade brasileira.
O processo foi protocolado em 5 de outubro na corte federal de Nova York. A carteira fica na rede Tron e foi bloqueada em 24 de setembro de 2025, quatro meses depois de receber os primeiros USDT. A Conduit diz que perdeu velocidade para liquidar transações dos clientes.
Além de liberar o saldo, a empresa pede pelo menos o mesmo valor de novo, em indenização, e uma parte do rendimento que a Tether obtém com as reservas que lastreiam esses tokens. A lista de acusações inclui apropriação indevida, enriquecimento sem causa, quebra de dever fiduciário e fraude computacional, e o pedido é para que a Tether mostre as contas.
O que o processo diz sobre o Brasil
A investigação que teria motivado o congelamento é da Polícia Federal e envolve uma ex-cliente da Conduit, a Onix Intermediações. A empresa afirma que a apuração não tem relação com ela. No processo, diz que a Onix usou sua plataforma pela última vez em 22 de abril de 2025, antes de a carteira nascer, e que a conta nunca guardou dinheiro da ex-cliente. Diz também que a Polícia Federal informou que a carteira não estava na lista de endereços entregue à Tether e que a Justiça brasileira confirmou que a Conduit não é alvo da apuração.
A Tether sustenta outra posição nos próprios termos de serviço. O documento reserva à empresa o direito de bloquear tokens quando a lei exigir ou quando ela, por decisão própria, julgar prudente. Em abril, a companhia disse ter ajudado a congelar US$ 344 milhões em USDT a pedido do governo americano e afirmou que a ferramenta serve para tirar dinheiro do crime.
Não é o primeiro processo
Em 31 de agosto, dois empresários tailandeses levaram a Tether à mesma corte, por cerca de US$ 42,4 milhões em USDT bloqueados. Eles dizem que a empresa agiu por um pedido informal do governo americano, antes de existir ordem judicial de confisco. A Tether chamou o processo de infundado.
A Tether diz ter congelado mais de US$ 4,4 bilhões desde que começou a operar, e mais de US$ 2,1 bilhões desse total têm ligação com autoridades americanas.
O USDT é o maior token do mercado depois do bitcoin, com US$ 184 bilhões em valor de mercado, e o preço segue colado em um dólar. Cada unidade é emitida pela Tether, uma única empresa, e é ela que decide quando um endereço entra na lista de bloqueio.
A carteira na Tron seguia com 2,757 milhões de USDT em 6 de outubro, segundo o explorador da rede. Parte do saldo entrou depois do bloqueio, em uma transferência de 1 milhão de tokens no mesmo dia em que o endereço entrou na lista.
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