O FNB fechou as contas das corretoras de cripto em 2019 e agora vende bitcoin no próprio app
O FNB abriu a compra e a venda de criptoativos para perto de 9 milhões de clientes de varejo. A lista reúne cinco ativos, bitcoin, ether, XRP, solana e a stablecoin USDT. A entrada mínima é de 10 rands, cerca de 3 reais. O mesmo grupo bancário cortou o acesso das corretoras de cripto ao sistema financeiro do país em 2019.
O serviço roda na plataforma de negociação de ações que o banco já tinha e o dinheiro sai da conta corrente. A negociação fica aberta 24 horas por dia. Em volta de tudo há uma cerca, e o banco a descreve no anúncio. Os criptoativos não podem ser transferidos para dentro nem para fora do ambiente do banco. O cliente compra, acompanha o preço e vende, mas não leva os ativos para uma carteira própria. O FNB diz que a trava serve para dar segurança à plataforma e para cumprir as regras de controle de câmbio do país.
O banco que fechou as contas das corretoras
O caminho até aqui é o que dá peso ao anúncio. No fim de 2019, o FirstRand avisou as corretoras de cripto do país que encerraria os serviços bancários delas até o fim do primeiro trimestre de 2020. Luno, ICE3X e VALR, as três maiores da época, confirmaram a saída. A política ia além das corretoras e barrava qualquer negócio ligado a cripto, mineração e publicidade incluídas.
Na ocasião, o banco disse que poderia rever a decisão se a regulação do setor ficasse mais clara. A VALR, uma das afetadas em 2019, é justamente a parceira escolhida para montar o serviço que o FNB lança agora.
O que mudou
A resposta está nos números do regulador. A autoridade que supervisiona o setor financeiro do país começou a licenciar prestadores de serviços de criptoativos em junho de 2023. Até dezembro de 2025, havia 512 pedidos de licença, com 300 aprovados, 14 recusados e 121 retirados pelos próprios candidatos. Outros 81 casos viraram investigação por suspeita de operação sem licença.
O FNB também cita a entrada de gestoras grandes no mercado, a BlackRock entre elas, como sinal de que o setor deixou de ser um nicho. Do lado do cliente, o banco diz que a procura foi o empurrão. Bheki Mkhize, que comanda a área de gestão de patrimônio do FNB, afirmou que a base vinha pedindo uma plataforma em que pudesse confiar. Para Sizwe Nxedlana, que dirige o banco e a área de private banking, a instituição ouviu os pedidos por ativos com potencial de crescimento e respondeu com um caminho simples para comprá-los.
O FNB entra depois do Discovery
O FNB não é o primeiro banco do país a vender cripto no aplicativo. O Discovery Bank saiu na frente em dezembro do ano passado, com um serviço montado com a Luno que permite comprar e vender cripto no aplicativo. A diferença no caso do FNB é o tamanho da base atendida.
A demanda tem número. Um relatório do Discovery Bank com a Visa, de abril, contou 7,8 milhões de sul-africanos com cripto, uma em cada oito pessoas do país.
O bitcoin, o mais conhecido da lista, era negociado a US$ 85,6 mil nesta terça-feira, perto de R$ 430 mil. Em outubro do ano passado ele marcou o recorde de US$ 126 mil, e o preço segue 32% abaixo daquele topo.
O Banco Central do país não reconhece criptoativos como moeda, e a ressalva aparece nos próprios documentos do regulador sobre o setor. O que o FNB passa a vender dentro do app é produto de investimento.
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