Segurança

Ataque que troca endereço cripto copiado sobrevive à queda do Sality

A operação internacional que desativou o botnet Sality cortou a capacidade do grupo de entregar novos programas maliciosos, mas não alcançou o software que já estava instalado nas máquinas comprometidas. A CrowdStrike, que liderou a operação junto com a justiça americana e o FBI, estima que o grupo controlava mais de 33 mil computadores pelo mundo.

Esse programa que continua ativo nessas máquinas se chama EggJagger, e é exatamente a parte que mais interessa a quem usa criptomoedas.

O Sality funciona há mais de duas décadas. Observado desde 2003, ele evoluiu e passou a operar em rede ponto a ponto, em que cada computador infectado se comunica diretamente com os outros, sem depender de um servidor central. Essa arquitetura o tornou difícil de tirar do ar por muito tempo.

Nos últimos oito anos, o carregamento principal que o grupo distribuía era exatamente o EggJagger.

Como o ataque troca o endereço copiado

O EggJagger monitora a área de transferência do sistema. Quando alguém copia um endereço de bitcoin ou de ethereum para fazer um pagamento, o programa substitui silenciosamente a sequência copiada por um endereço controlado pelo operador do botnet.

No momento do envio está o perigo. A pessoa acha que está pagando o destinatário correto, cola o endereço na plataforma e manda os fundos para o lugar errado.

A CrowdStrike estima que o operador tenha roubado o equivalente a pelo menos 12,1 milhões de rublos em criptomoedas por esse método, algo em torno de US$ 150 mil. A carteira que nunca chegou a ser gasta chegou a valer cerca de 147 milhões de rublos em janeiro de 2025.

Desativar o botnet não apaga o problema para quem já tinha o software instalado.

Isso porque a operação atacou justamente o canal de comunicação. A CrowdStrike manipulou as listas de contatos das máquinas infectadas, removendo os endereços legítimos e inserindo servidores controlados pela própria empresa, conhecidos como sumidouros. Dessa forma, os computadores comprometidos perderam o contato com o operador e deixaram de receber instruções de download e transferência de novos arquivos.

O que já estava gravado no disco das máquinas, no entanto, permaneceu intacto. Para cada computador comprometido, a remoção do programa passou a ser uma ação local, que nenhuma operação externa executa pelo dono do aparelho.

Por que a desativação não eliminou o malware

Há ainda um detalhe que torna a limpeza mais delicada. O Sality é um infectador de arquivos, ou seja, se anexa a programas executáveis e se espalha por pastas compartilhadas na rede, por dispositivos de armazenamento removíveis e por serviços de troca de arquivos. Uma infecção podia se reproduzir sem depender de novas campanhas de phishing ou de falhas de navegador, o que explica parte da longevidade da ameaça.

Exatamente por isso, os arquivos contaminados representam um problema separado das conexões de rede que a operação conseguiu cortar.

Em paralelo, o Departamento de Justiça anunciou a apreensão de domínios ligados ao Sality nos Estados Unidos, enquanto autoridades da Bulgária, da Hungria e da Romênia tomaram ações contra endereços adicionais hospedados na Europa. A fundação Shadowserver passou a trabalhar com provedores de internet e equipes de resposta a incidentes para identificar infecções, notificar vítimas e apoiar a remoção do malware.

O passo seguinte depende de cada situação, porque nem todo computador comprometido responde à mesma correção.

O que fazer para remover a infecção

Para administradores de rede, a CrowdStrike recomenda revisar registros e telemetria em busca de tráfego UDP direcionado ao endereço 188.166.101.148. Uma correspondência indica uma infecção pelo Sality que exige remediação, e o relatório técnico traz regras de detecção para examinar os processos em execução.

Ao usuário final, a orientação é mais direta. Quem desconfia de ter sido infectado precisa remover o malware do aparelho, porque a desativação do botnet não limpa a máquina nem impede que o EggJagger troque o endereço copiado na hora do pagamento.

A operação tirou do operador o controle da rede, mas devolveu a cada dono de computador comprometido a responsabilidade de fechar a porta que ficou aberta. Quem envia criptomoedas com frequência faz bem em conferir o endereço completo antes de confirmar o pagamento, mesmo quando copiou de um contato de confiança, porque a substituição acontece justamente na etapa de colar uma sequência que veio de uma fonte conhecida.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

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