Bitcoin sobe 40% em dois meses, mas dinheiro que sustenta a alta não voltou
O indicador que mede a pressão compradora e vendedora no mercado à vista do bitcoin está em território neutro. O Cumulative Volume Delta de 90 dias não confirma o movimento de alta que levou o bitcoin a subir quase 40% em dois meses. O preço sobe, mas o dinheiro de verdade não acompanhou.
A desconexão entre preço e liquidez
Entre o início de julho e a primeira semana de setembro, o bitcoin saltou de US$ 58.566 para US$ 81.265. A recuperação de quase 40% em dois meses animou o mercado e reacendeu o discurso de que o fundo do ciclo teria ficado para trás. O problema é que o volume de compras à vista não confirma a força que o preço sugere. A alta tem driver, mas o driver não é o dinheiro novo entrando no spot.
O mercado futuro conta outra história. Os compradores assumiram o controle, e o CVD do derivativo mostra pressão compradora consistente. O descolamento entre futuro e à vista é um sinal de que a alta atual tem mais a ver com alavancagem do que com convicção.
A reserva de stablecoins na Binance, termômetro histórico da liquidez disponível para comprar crypto, atingiu um pico de mais de US$ 50 bilhões no ápice do ciclo. De outubro para cá, essa montanha de dinheiro encolheu. A queda foi de quase US$ 7 bilhões, e a variação de 90 dias do market cap de stablecoin retido na exchange chegou a -17%. O número melhorou nos últimos 30 dias, com alta de US$ 1,6 bilhão, mas a leitura de 90 dias ainda está negativa em -1,6%. No pior momento da correção, a demanda real dos investidores encolheu a ponto de empurrar a variação de 90 dias para -17%. A melhora recente existe, mas é tímida. Os indicadores técnicos pintam um quadro favorável no curto prazo. O RSI diário do bitcoin chegou a 67, as médias exponenciais de 7 e 21 dias viraram para cima e superaram a média de 200 dias pela primeira vez desde o fim de 2025. A configuração é bullish.
O analista Darkfost avalia que o movimento ainda não tem força para sinalizar um retorno definitivo de liquidez. Para ele, uma passagem limpa dos US$ 80.000 seria o gatilho para o dinheiro voltar com mais decisão.
Os níveis que o mercado monitora
O bitcoin encontra-se em uma zona de decisão. O suporte imediato fica em US$ 74.000, nível que sustenta o viés bullish segundo o analista Daan Crypto Trades. O próximo obstáculo relevante está em US$ 83.000. Um fechamento diário acima desse patamar fortalece o cenário de alta e abre espaço para um movimento maior. A perda do suporte de US$ 74.000, por outro lado, enfraquece a leitura otimista.
As baleias do bitcoin não estão ajudando a construir um caso mais forte. Dados da Santiment mostram que os grandes detentores mantêm cerca de 5,23 milhões de BTC em carteira, praticamente sem alteração na última semana. A ausência de acumulação ou distribuição significativa sugere que os players com mais capital preferem observar de longe. O calendário está carregado de eventos macroeconômicos e políticos capazes de movimentar o mercado. Os relatórios de PPI e CPI dos Estados Unidos estão na agenda. Um catalisador político relevante para o ecossistema crypto está na pauta do Senado dos EUA. O CLARITY Act, que estabelece um marco regulatório mais amplo para os ativos digitais, tem votação prevista para o dia 15 de setembro. A moção de cloture decide se o projeto avança para o plenário e exige 60 votos para aprovar a medida. O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, declarou publicamente acreditar que a proposta será aprovada.
A expectativa é que o projeto avance ainda em setembro, mas a resistência de parte dos democratas mantém o resultado em aberto. No dia seguinte, o Federal Reserve anuncia sua decisão sobre a taxa de juros americana. O presidente do Fed, Kevin Warsh, comanda o evento, e o Banco do Japão fecha a semana com sua própria decisão monetária.
O bitcoin precisa de um catalisador para destravar a liquidez que ainda não voltou. A US$ 77.152, o mercado aguarda os próximos dias para mostrar se o rally tem sustentação ou se foi apenas um movimento técnico alimentado por alavancagem.
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