Segurança

No Alabama, caixa cripto tem que devolver o dinheiro de quem cai em golpe

Uma ligação avisando sobre um mandado da polícia que não existe, ou sobre um problema urgente no banco, costuma terminar no mesmo lugar. A pessoa vai até o caixa de cripto mais próximo, coloca o dinheiro em espécie na máquina e, em poucos minutos, o valor desaparece.

Nos Estados Unidos, esse dinheiro quase nunca voltava. A partir desta semana, no estado do Alabama, a regra mudou.

A mudança vem do House Bill 303, aprovado em abril e em vigor desde terça-feira, 1º de outubro. O texto é o Cryptocurrency Kiosk Fraud Prevention Act, que cria um artigo novo no código do estado e trata dos equipamentos que convertem dinheiro em cripto.

O trecho mais visível é o reembolso. Quem nunca tinha usado aquela máquina antes recebe o valor integral de volta, com as taxas incluídas. Quem já é cliente da empresa recebe metade do pagamento, também com as taxas.

O tempo define a categoria. A pessoa é tratada como nova na primeira operação e por mais 30 dias. Passou esse período, e ela vira cliente antiga aos olhos da lei.

O prazo para pedir também é curto. É preciso avisar a empresa, a polícia e o regulador de valores do estado em até 60 dias corridos depois da transação, e ainda registrar a denúncia de fraude junto a um dos dois últimos órgãos.

Isso cobre justamente o perfil mais comum da vítima. Quem cai nesse tipo de golpe quase nunca usou um caixa cripto na vida, porque não tem histórico de compras frequentes em máquinas do tipo.

A máquina passa a mostrar o que está custando

Antes de liberar a operação, a tela precisa informar as taxas cobradas, o valor em dinheiro, a quantia em cripto e o câmbio aplicado. O consumidor precisa aceitar de forma explícita os dois avisos de fraude para que a máquina permita a transação.

Ao final, o cliente sai com um recibo, em papel ou por e-mail ou telefone, com o endereço que vai receber o dinheiro, o horário exato e as taxas. Quem escolhe a versão digital recebe também o registro completo da operação.

Há ainda a proibição de instalar o caixa dentro de banco ou cooperativa de crédito. A prática já era comum nos Estados Unidos, e as vítimas relatavam estar negociando diretamente com um lugar que tem seguro de depósito.

Empresas com sede no país passam a ter de manter um telefone de atendimento gratuito, com gente de verdade falando, disponível a qualquer hora do dia e da noite.

Para quem tem 60 anos ou mais, o cuidado é maior. A máquina faz mais perguntas antes de liberar o dinheiro, seguindo regras que o regulador do estado ainda vai detalhar.

Os limites e o rastreamento

Um dos pontos do projeto ataca diretamente o truque que sustenta esse tipo de crime. Cada transação é conferida contra listas de endereços ligados a fraudes, e a máquina recusa a operação se houver coincidência.

Também passou a valer um teto para o quanto sai na máquina. Quem está começando fica com US$ 1.000 ao dia e US$ 10.000 ao mês. Cliente com histórico tem teto de US$ 10.500 ao dia. A soma vale para todas as máquinas da mesma empresa no estado, e cada transação exige verificação de identidade.

As taxas cobradas nesses equipamentos costumam ficar de 7% a acima de 20% por operação. Quem é golpeado arca com esse custo, e a lei manda devolver junto.

Também está proibido comprar, vender ou enviar moedas de privacidade, aquela categoria criada para dificultar o rastreamento de quem fez a operação.

O regulador do estado pode multar empresas que descumprirem as regras, sem impedir a ação da polícia nem a cobrança de outros crimes.

Há pelo menos dois anos o Arizona corre com regra parecida. Em agosto, a procuradoria do estado anunciou que 35 vítimas receberam US$ 171.332 de volta.

O ponto frágil continua sendo o mesmo. Uma vez que o valor foi enviado, recuperá-lo é praticamente impossível. A nova lei deixa o golpe acontecer, e repassa parte do prejuízo para quem opera a máquina.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *