Carteira parada desde 2010 move 100 bitcoins e rende US$ 8,5 milhões
Após 16,2 anos sem uma única transação, um lote de 100 moedas saiu do endereço que o abrigava desde meados de 2010. O movimento foi sinalizado pela Whale Alert, plataforma que acompanha transferências grandes na rede do bitcoin, e coloca o dono dessas moedas no grupo raro dos que atravessaram mais de uma década e meia sem tocar no saldo.
O lote hoje passa de US$ 8,5 milhões. Na época em que as moedas pararam, não chegava a alguns dólares, porque o bitcoin ainda valia centavos.
Nesta quarta-feira, a moeda era negociada perto de US$ 83 mil, em queda no dia.
O bitcoin nasceu em 2009 e passou os primeiros anos restrito a fóruns de programadores. Em 2010, cada bloco minerado pagava 50 moedas e a rede rodava em computadores domésticos, sem corretoras nem fundos institucionais no caminho. Quem minerava naquele ano não tinha como saber que uma moeda chegaria a valer dezenas de milhares de dólares, e muitos venderam ou perderam o que tinham.
Foi desse período que saíram as 100 moedas que acabaram de se mover. O endereço ficou parado durante a alta de 2013, o ciclo de 2017, a corrida de 2021 e a queda que veio depois.
Carteiras antigas despertam em ritmo incomum
O caso desta quarta-feira não está isolado. Um levantamento da Galaxy Research mostra que endereços parados há mais de uma década se movem em 2026 a um ritmo pouco comum, com carteiras antigas despertando mês após mês. São moedas guardadas desde os primeiros anos da rede, quando o bitcoin ainda era um experimento de nicho.
Cada vez que moedas antigas mudam de endereço, volta a mesma pergunta. Seriam de Satoshi Nakamoto? Até agora, nenhuma reativação recente foi ligada a ele.
Quase todos esses endereços nasceram quando o bitcoin valia menos de US$ 1, e o que guardam hoje nasceu de mais de uma década de altas e quedas. Cada moeda que sai agora de uma carteira antiga vale milhares de vezes o que valia na época, e o lote desta quarta-feira não é exceção.
O destino das moedas antigas
Tirar moedas de uma carteira antiga não quer dizer que elas foram para o mercado. Nos casos recentes, os bitcoins costumam terminar em endereços novos de custódia, sem passar por corretoras, um indício de que o dono atualizou a segurança e trocou o formato da carteira. É um movimento interno, que troca a chave antiga por uma nova sem levar as moedas a uma mesa de negociação.
Analistas evitam ler cada despertar como venda. Sem uma transferência para uma corretora conhecida, a leitura mais segura é a de que o dono reorganizou as moedas e não as deixou à disposição de compradores.
A quantidade de bitcoin parado há mais de dez anos passa de 3,5 milhões de moedas, perto de 17% de tudo o que circula. Por causa dessas carteiras, o volume de bitcoin disponível para negociação é menor do que o total emitido sugere, e a diferença aumenta a cada corte na emissão de novas moedas.
Esse tipo de movimento mexe com o humor do mercado, que costuma lê-lo como uma venda a caminho.
Até agora, não foi o que aconteceu com os 100 bitcoins desta quarta-feira. O preço da moeda seguiu firme, e os motivos por trás desses despertares raramente aparecem na rede. Uma carteira antiga pode se mexer por troca de custódia, por herança ou pela recuperação de uma chave guardada por anos, e nenhuma dessas razões deixa rastro público.
As 100 moedas desta quarta-feira são uma parcela pequena de uma reserva que continua quase toda intocada.
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