ETFs de bitcoin perdem US$ 47M com Grayscale e XRP atrai US$ 1,55M
Os fundos negociados em bolsa de bitcoin encerraram 8 de setembro com saída líquida de US$ 47 milhões. O número interrompeu três dias consecutivos de entradas e devolveu o patrimônio líquido combinado dos fundos para menos de US$ 100 bilhões. Os ativos totais fecharam em US$ 99,52 bilhões, nível que não era alcançado há algumas semanas.
O dado agregado esconde um movimento desigual entre os emissores.
O Grayscale Bitcoin Trust (GBTC) concentrou a maior parte das perdas, com resgates de US$ 66 milhões na data. O veículo carrega uma taxa de administração de 1,5% ao ano, que chega a ser sete vezes maior que a cobrada pelos principais concorrentes do mercado. Desde a conversão do trust original para ETF em janeiro de 2024, o fundo segue perdendo espaço para alternativas mais baratas. Essa migração não é reação de pânico nem mudança de tese sobre o bitcoin. É conta de taxa.
Do outro lado, quatro fundos compensaram parte das saídas.
Os quatro registraram juntos cerca de US$ 41 milhões em entradas líquidas no mesmo dia. A captação conjunta atenuou o impacto dos resgates do GBTC, mas não foi suficiente para deixar o saldo total do bitcoin no terreno positivo.
O XRP avançou na contramão do resto do mercado.
Os cinco fundos spot do ativo listados nos Estados Unidos somaram US$ 1,55 milhão em entradas líquidas na mesma sessão. O resultado estendeu a trajetória positiva dos fundos, que já acumulam US$ 1,69 bilhão em captações desde o lançamento. Nos últimos 30 dias, as captações ficaram na casa de US$ 173 milhões, com agosto sendo o melhor mês de 2026, acima de US$ 150 milhões.
Grayscale lidera fuga e XRP vai contra a maré

O Ethereum também devolveu capital.
Os nove fundos spot de ETH fecharam o dia 8 com saída líquida de US$ 24,29 milhões, a primeira sessão negativa desde 11 de agosto. O Ethereum Trust (ETHE), o outro veículo da gestora, registrou resgates de US$ 9,57 milhões, enquanto o Ethereum Mini Trust (ETH) somou US$ 24,61 milhões em saídas. O montante combinado dos dois veículos da Grayscale supera a saída líquida total do dia, indicando que outros fundos compensaram parte dos resgates. O fundo da BlackRock, o ETHA, permaneceu inalterado, repetindo o padrão observado no bitcoin em que o veículo da gestora de maior patrimônio escapa das saídas.
Essa dinâmica reforça que a fuga não é dos ativos em si, mas da estrutura de taxas elevadas que a Grayscale mantém nos fundos convertidos do mercado de balcão. A Solana teve a maior queda proporcional entre todos os ETFs de crypto. As captações semanais dos fundos de SOL despencaram 96%, saindo de US$ 153,87 milhões na semana encerrada em 28 de agosto para apenas US$ 6,18 milhões na semana até 4 de setembro. A reversão interrompeu uma sequência de oito dias consecutivos de entradas, o maior período de captações ininterruptas do ano, e trouxe o patrimônio total de volta ao patamar de meados de agosto. No dia 8, a saída líquida foi de US$ 667,7 mil. O ETF da 21Shares (TSOL) captou US$ 502,7 mil sozinho, mas o montante não foi suficiente para cobrir as devoluções nos demais veículos. Para efeito de comparação, o pico de captação semanal de US$ 153,87 milhões agora contraste com os menos de US$ 7 milhões da semana mais recente.
A concentração de saídas em veículos da Grayscale repete o padrão observado no mercado de bitcoin. Taxa acima da média afasta o capital institucional.
O contraste entre GBTC e IBIT
A taxa de administração do GBTC explica parte relevante da fuga. Enquanto o Grayscale cobra 1,5% ao ano, o IBIT da BlackRock fica em 0,33%, o BITB da Bitwise se aproxima do mesmo patamar e o ARKB da Ark opera em linha parecida. Na prática, uma alocação de US$ 100 milhões no GBTC custa US$ 1,5 milhão em taxas anuais, contra US$ 330 mil no IBIT.
A votação da CLARITY Act no Senado americano, marcada para 15 de setembro, pode reforçar o movimento de entrada no XRP. Endereços ativos na ledger do XRP cresceram 35% em agosto, segundo dados da rede. Gestores de fundos agora têm, além do dado de preço, uma métrica on-chain para justificar alocações institucionais. Caso o marco regulatório seja aprovado, o caminho fica aberto para que gestoras tradicionais direcionem capital ao ativo. O XRP se tornou o principal candidato a receber esse fluxo regulatório, e os números de 8 de setembro sugerem que o mercado já está se posicionando antes da decisão.
Parte significativa desse capital está parada em stablecoins e renda fixa americana. O bitcoin segue próximo de US$ 78.300, enquanto o XRP oscila na casa de US$ 1,42. O que o dia 8 de setembro mostrou não foi fuga do mercado de crypto. O movimento é de realocação cirúrgica. O investidor troca o veículo mais caro por ativos onde a régua regulatória está mais perto de ficar clara. A concentração de poder nos fundos de bitcoin está, lentamente, mudando de mãos.
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