Instituições aportam 250 BTC no Genesis Bond da Stacks
O Stacks lançou nesta quinta-feira, 10 de setembro, o primeiro produto de bitcoin para instituições com lastro em gastos de mineradores. O Genesis Bond recebeu 250 BTC de quatro participantes institucionais e tem como meta 3% ao ano em retorno denominado na própria criptomoeda.
Os aportes vieram da 21Shares, uma das maiores emissoras de ETPs de criptoativos, da HashKey Cloud, braço institucional de staking do HashKey Group, da UTXO Management, gestora nativa de bitcoin e subsidiária da Nakamoto Inc., e da Sypher Capital, gestora institucional de ativos digitais. Três das quatro participantes mantiveram custódia própria do bitcoin. A Sypher Capital operou por meio do StackingDAO, protocolo de staking líquido da rede Stacks.
A primeira distribuição de recompensas está prevista para 17 de setembro.
Como funciona o Proof of Transfer
O mecanismo por trás do rendimento é o Proof of Transfer, sistema de consenso da Stacks em operação desde janeiro de 2021. Mineradores de Stacks gastam bitcoin para ter direito a produzir blocos da rede e receber recompensas em STX. Esse bitcoin gasto forma um pool de recompensas, e os participantes do Genesis Bond recebem prioridade sobre esse fluxo. Desde o lançamento do Proof of Transfer, mais de 4.200 BTC foram distribuídos para participantes da rede.
A taxa de 3% ao ano se traduz em aproximadamente 1,44% ao fim do período, com distribuição semanal.
Os participantes precisam combinar o bitcoin com STX equivalente a cerca de 5% da posição em BTC. O STX é a capacidade de staking que assegura a alocação e o direito às recompensas. O STX permanece bloqueado por todo o período de seis meses, mesmo que o participante resgate o bitcoin antes do fim do prazo e abra mão das recompensas ainda não distribuídas.
O Stacks afirma que o contrato direto do Genesis Bond não possui mecanismo de slashing que possa atingir o bitcoin principal. A posição carrega, contudo, riscos de liquidez, operacionais, de protocolo, de mercado do STX e de sustentabilidade das recompensas. O bitcoin aportado fica sob as chaves de cada participante em um script de timelock na camada base do Bitcoin. Participantes diretos dependem do timelock e do processo de recompensas da Stacks. A rota por StackingDAO introduz contratos e processos operacionais adicionais para representar e gerir a posição. O modelo da Stacks difere de outras formas de obter rendimento em bitcoin. Em estruturas custodiais, o credor depende de contrapartes contratuais. Em empréstimos via contratos inteligentes, contratos automatizados criam exposição técnica e de liquidez. Opções cobertas mantêm o downside e limitam parte do upside. Operações de basis envolvem margem e financiamento. O rendimento da Stacks vem de um fluxo de mineração estabelecido, não de crédito ou derivativos.
A custódia do bitcoin na camada base elimina a exposição a pontes e a tomadores presente em algumas alternativas. Ainda assim, as instituições precisam avaliar o prazo, as condições de saída antecipada, o compromisso de STX, as dependências operacionais e a fonte das recompensas.
O rendimento em contexto
O hardfork PoX-5, que estabeleceu a base protocolar para o Bitcoin Staking, foi ativado em 30 de julho no bloco 960.230 do bitcoin. A Stacks prevê que as próximas janelas de aporte abram mensalmente até o fim de 2026, sujeito a confirmação final. A Fireblocks está integrando a Stacks à sua plataforma para que clientes institucionais acessem o Bitcoin Staking com ferramentas de custódia e compliance.
A primeira janela segue pequena e com histórico limitado. A pergunta que instituições precisam fazer é quem financia o retorno e por quanto tempo esse financiamento pode durar. A receita do Genesis Bond depende dos gastos de quem minera Stacks e da economia que mantém esses agentes participando. Se a atividade de mineração cair, o pool de recompensas encolhe. Diferentemente dos empréstimos, em que a receita vem da demanda de crédito, ou das opções cobertas, em que o prêmio vem da volatilidade, o modelo da Stacks depende de um único fluxo. O bitcoin que os mineradores escolhem gastar para produzir blocos.
O Genesis Bond existe. As instituições aportaram. A primeira distribuição sai em sete dias. A sustentabilidade do modelo, contudo, ainda precisa ser provada em escala e ao longo de múltiplos períodos de mercado.
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