Análises

TOTAL2 encosta em US$ 1,07 trilhão e enfrenta teste de validação

A capitalização do mercado de altcoins, excluindo o Bitcoin, voltou a operar na casa de US$ 1,07 trilhão no início de setembro. O TOTAL2, indicador que agrega o valor de mercado de todos os criptoativos exceto o BTC, testa agora a resistência de US$ 1,07 trilhão. O patamar já funcionou como teto em maio deste ano. Se superado, abre espaço para valorização coletiva.

O Bitcoin domina 58,6% do mercado total.

O TOTAL2 está preso em um range de longo prazo desde o bear market de 2022. A incapacidade de romper o pico histórico de US$ 1,77 trilhão, alcançado em outubro de 2025, confirma a formação desse intervalo que já dura mais de quatro anos. O nível de US$ 1,07 trilhão funciona como o ponto médio desse range histórico.

É onde o mercado precisa provar força para seguir em frente. Os indicadores de blockchain pintam um quadro menos otimista.

Os sinais de alerta on-chain

Gráfico TOTAL2 — Capitalização do Mercado de Altcoins (excl. Bitcoin) de 2022 a 2026, mostrando range de consolidação, ATH em out/2025 e resistência atual em US$ 1,07T
Gráfico TOTAL2 — Capitalização do Mercado de Altcoins (excl. Bitcoin). Fonte: CoinGecko/TradingView

O número de endereços associados a entrada de altcoins para corretoras centralizadas atingiu o maior nível desde maio, segundo dados da CryptoQuant. A Binance concentra a maior parte do movimento. São 25.856 endereços distintos realizando depósitos na plataforma, volume que supera todas as outras exchanges combinadas.

Nem toda movimentação para corretoras vira venda imediata. Parte pode estar ligada à atividade de traders de curto prazo buscando liquidez. O histórico mostra, contudo, que picos de entrada para as plataformas costumam preceder realização de lucros.

As reservas de stablecoins em corretoras estão em queda livre.

Desde dezembro de 2025, as reservas de Tether e outros ativos atrelados ao dólar nas plataformas centralizadas encolheram 20%, de US$ 80 bilhões para US$ 64 bilhões. O verão trouxe um breve alívio com entradas de capital, mas a tendência de fundo é de contração. Sem o influxo constante de stablecoins, o mercado perde a principal fonte de demanda que impulsionou os ralis anteriores.

O Ethereum opera com dominância de 11,35%.

O peso do cenário macro

O cenário macroeconômico pesa contra. A taxa do título americano de 30 anos alcançou 5,353% nesta quinta-feira, 10 de setembro, maior patamar desde junho de 2007. Juros mais altos por mais tempo pressionam todos os ativos de risco, especialmente aqueles que dependem de liquidez farta e de expectativa de valorização rápida. O índice de preços ao produtor avançou 0,4% em agosto na comparação mensal e 5,4% no acumulado de um ano, acima da meta de 2% do Federal Reserve.

O medo de um novo ciclo global de juros está tirando capital dos ativos mais especulativos.

O índice DXY opera perto da máxima do ano. O mercado precifica 69,8% de probabilidade de um incremento de 25 pontos-base na reunião do Fed na terceira semana de setembro. O banco central europeu, por sua vez, também subiu os juros em 25 pontos-base recentemente.

Para que o TOTAL2 consiga romper os US$ 1,07 trilhão de forma sustentada, será necessário um aumento na demanda e no poder de compra do mercado. Isso significa que as reservas de stablecoins precisariam reverter a tendência de queda, e os envios para as corretoras precisariam diminuir, indicando que detentores estão mantendo suas posições em carteiras de autocustódia.

O mercado de altcoins historicamente entra em alta generalizada após o Bitcoin estabilizar em novos patamais. Com o BTC operando na casa dos US$ 76 mil, a rotação de capital para altcoins é um movimento esperado, mas que depende de confiança macroeconômica e de liquidez disponível.

A resistência imediata em US$ 1,07 trilhão continua sendo o nível-chave para os próximos dias.

Uma confirmação acima desse patamar, com volume crescente, pode abrir caminho para o próximo alvo em US$ 1,10 trilhão. A perda do suporte de US$ 1 trilhão pode acelerar uma correção mais profunda.

O momento exige atenção aos fluxos on-chain e às reservas de stablecoins. Eles funcionam como termômetro da disposição do mercado em manter posições de risco. Enquanto o banco central americano não conseguir trazer a inflação para perto da meta, o ambiente permanece hostil aos criptoativos especulativos.

⚠️ Aviso importante

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