KULR zera posição em Bitcoin e retorna ao core business
A KULR Technology Group vendeu os últimos 764 bitcoins do caixa e encerrou a estratégia de tesouraria em criptomoedas que durou pouco menos de dois anos.
A decisão marca uma reversão completa na alocação de capital da companhia listada na NYSE. A empresa surgiu em 2015 na Califórnia como KT High-Tech Marketing e adotou o nome KULR Technology Group em agosto de 2018. Desde então, construiu uma operação focada em baterias de alta potência, plataformas de gestão de energia e infraestrutura de armazenamento para aplicações de inteligência artificial física e sistemas de missão crítica.
A estratégia de tesouraria em Bitcoin
A unidade de Houston, no Texas, materializou essa vocação industrial. A história com Bitcoin começou em dezembro de 2024, quando a diretoria aprovou a mudança estratégica.
A empresa comprou 217 moedas por cerca de 21 milhões de dólares e anunciava que alocava até 90% do excedente de caixa em criptomoeda. A tese era clara. Transformar a companhia em um veículo de exposição ao Bitcoin com alavancagem corporativa. A estratégia ganhou corpo. Em janeiro de 2025, mais 213,43 bitcoins entraram no caixa a um preço médio de cerca de 98.393 dólares por moeda.
Até julho de 2025, a posição superava mil moedas. O pico veio em 31 de março de 2026, quando o balanço registrou 1.083 bitcoins. A acumulação acelerada mostrou a convicção da gestão.
A deterioração financeira e a mineração
Para acelerar a acumulação, a empresa tomou 20 milhões de dólares emprestados da Coinbase e ofereceu 565 bitcoins como garantia. A alavanca estava montada. O endividamento com a exchange de criptomoedas era o combustível para a expansão da posição. O segundo trimestre de 2026 trouxe outra realidade. A receita operacional caiu 43% em relação ao mesmo período do ano anterior e ficou em apenas 2,08 milhões de dólares.
O prejuízo operacional cresceu 19%, para 11,2 milhões de dólares. O prejuízo líquido explodiu para 21,97 milhões de dólares, puxado principalmente por um ajuste de marcação a mercado de 10,59 milhões nos ativos digitais.
A operação de mineração completou o modelo, mas no primeiro semestre de 2025 os contratos renderam 14,22 bitcoins e uma receita de 1,37 milhão de dólares. O negócio de mineração se tornou um peso. Um contrato expirou em 30 de julho e não foi renovado. Outro, com vigência original até outubro de 2027, foi encerrado antecipadamente. A empresa pagou 150 mil dólares para sair do acordo e eliminou 2,1 milhões em compromissos futuros.
A venda total e o pagamento da dívida
A produção do primeiro semestre chegou a 17,23 bitcoins, mas a receita caiu para 1,27 milhão porque o valor médio despencou de 96,225 para 73,594 dólares.
O aperto se aprofundou. Em julho, vendeu 333 bitcoins por 21,5 milhões de dólares, a um preço médio de 64,538 dólares. Vinte milhões foram usados para quitar a dívida com a Coinbase e liberar os 565 bitcoins da garantia. No total acumulado, o prejuízo somou 22,6 milhões de dólares. Entre 20 de agosto e 11 de setembro de 2026, a empresa vendeu mais 764 bitcoins a 76,633 dólares, levantando 58,6 milhões brutos.
Nenhuma moeda ficou no caixa. A liquidação encerrou o ciclo de dois anos. O diretor financeiro Mike Kimel afirmou que a estratégia proporcionou flexibilidade financeira.
Reconheceu, contudo, que a volatilidade dificultava a avaliação do negócio principal pelos acionistas. O custo médio de compra foi de 98,923 dólares e a cotação média de venda combinada ficou em 74,368 dólares. A diferença entre o preço pago e o preço de venda revela o custo da aposta. Durante todo o primeiro semestre de 2026, a empresa não emitiu novas ações.
O movimento mais amplo de empresas
A diluição via emissão ficou suspensa enquanto a gestão desmontava a estratégia cripto. O recuo de 1.083 para zero bitcoins em menos de seis meses coloca a companhia em um movimento mais amplo.
Em 2026, dezenas de empresas que adotaram tesourarias Bitcoin estão revertendo a estratégia. A Genius Group vendeu seus últimos 84 bitcoins para pagar 8,5 milhões de dívida. A K Wave Media zerou a posição com 88 moedas para quitar 6 milhões. O modelo de tesouraria perdeu fôlego. A maioria das 50 maiores empresas do setor hoje negocia abaixo do preço que tinham antes de pivotar para cripto.
A empresa volta a ser apenas uma companhia de baterias e energia listada na NYSE. A narrativa de tesouraria perdeu apelo entre os investidores. A conta de marcação a mercado acumulou 31,4 milhões negativos no primeiro semestre. A empresa precisa provar que a bateria e a energia são suficientes para justificar o capital dos acionistas. Sem as moedas no balanço, a volatilidade sai da história e o que sobra é a cobrança sobre a operação industrial. O teste agora é mostrar que o core business sustenta o valuation.
⚠️ Aviso importante
As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.