Mastercard junta dinheiro comum e stablecoin na mesma conta
A Mastercard levou ao ar nesta quinta-feira, junto com a BVNK, uma plataforma que reúne dinheiro comum e stablecoin em uma mesma conta. Batizada de Global Money Platform, ela permite que bancos, fintechs e companhias ofereçam aos clientes um saldo em que as duas formas de dinheiro convivem, com troca de uma pela outra a qualquer momento e gasto na rede de cartões da bandeira. O lançamento é o primeiro produto relevante desde a compra da BVNK, fechada em agosto, e o serviço já pode ser contratado pela empresa adquirida.
O saldo que ficava parado em uma carteira digital passa a virar pagamento em qualquer terminal que aceite o cartão, e a chegar direto a uma conta de banco fora do país.
O produto principal da oferta é a conta global de dinheiro, que carrega saldos em moeda tradicional e em stablecoin no mesmo lugar e converte um no outro pela mesma interface de programação. Bancos e companhias de tecnologia podem embutir essa conta nos próprios aplicativos e apresentá-la com a própria marca, ou usar a estrutura para cuidar de tesouraria, pagamentos e liquidação. A companhia descreve o conjunto como um pacote modular, em que o cliente começa pela função de que precisa e acrescenta as demais conforme elas ficam prontas.
O ponto central está no fim das contas separadas, dos fornecedores distintos e dos saldos adiantados em cada país onde a empresa opera. A promessa é reduzir o número de peças que uma companhia precisa manter para mover dinheiro entre mercados.
O que muda para quem recebe e paga
A Mastercard usa o exemplo de uma indústria que recebe em moedas diferentes e paga fornecedores no exterior. Esse fluxo costuma exigir contas, parceiros e dinheiro adiantado em cada mercado, o que mantém capital de giro imobilizado e atrasa a operação. Com a plataforma, recebimentos, liquidez e pagamentos passam a ser resolvidos em um único lugar. O mesmo desenho serve às processadoras de pagamento, que podem aceitar stablecoin de quem compra e liquidar a venda do lojista no mesmo dia, com menos dinheiro parado.
A emissão de cartões alcança mais de 130 países, e o saldo guardado em stablecoin pode ser gasto nos pontos de venda da bandeira, que já somam centenas de milhões.
Do outro lado está a saída do dinheiro. A plataforma se apoia na Mastercard Move, estrutura de movimentação internacional da companhia, que ultrapassa 17 bilhões de terminais. Por ela, o saldo em stablecoin vira moeda local e entra na conta bancária de quem recebe, sem que o cliente procure uma corretora. A meta para 2027 é passar de 40 moedas e alcançar 200 países e regiões.
Quem integra a conta ganha acesso também a uma malha que passa de 20 redes e sistemas de pagamento, que acaba de ganhar Stellar, Monad, Arc, Plasma e Tempo, além de stablecoins como o USDC e o OUSD, sem trabalho extra de programação.
Quem entra primeiro
A Nuvei, que processa pagamentos para empresas, e a Marqeta, que emite cartões para outras companhias, formam a primeira leva de integrações, junto com a Ontop, a Bolt Group e a Almond FinTech. Chris Harmse, cofundador da BVNK, afirma que o produto cumpre o compromisso de unir a tecnologia da sua empresa à escala e à confiança da Mastercard, e que a plataforma deve virar a camada única de infraestrutura para todo tipo de dinheiro, inclusive as stablecoins.
Phil Fayer, fundador e presidente executivo da Nuvei, diz que o que leva os clientes à Nuvei é a combinação de presença global e conhecimento dos mercados locais, e que a plataforma dá à Nuvei os meios de continuar oferecendo essa escolha sem precisar costurar vários fornecedores de infraestrutura.
Raj Dhamodharan, que responde pela área de ativos digitais na Mastercard, sustenta que a interoperabilidade entre formas de dinheiro será a base do comércio nas próximas décadas. Segundo ele, a plataforma junta a infraestrutura de pagamento da companhia às capacidades da BVNK e dá a essas empresas um ponto de partida único para mover valor entre o sistema tradicional e o digital.
A BVNK atende hoje companhias como Corpay, Deel, Worldpay e Marqeta, e passa a operar dentro da Mastercard depois de cinco anos como empresa independente.
O que fica para depois
A lista do que vem depois tem dois itens, os depósitos tokenizados e o comércio conduzido por programas de inteligência artificial. A Mastercard não divulgou prazo para nenhum deles e os trata como a etapa seguinte da plataforma.
Os depósitos tokenizados levam para o registro digital o dinheiro que já está depositado em banco, o que os separa de uma moeda criada por uma empresa privada. Já o comércio por programas autônomos descreve compras decididas e pagas por software, sem uma pessoa apertando o botão em cada etapa. Os dois temas aparecem no texto que Raj Dhamodharan, da Mastercard, e Chris Harmse, da BVNK, assinam junto com o anúncio, que cita uma cifra de US$ 350 bilhões anuais em pagamentos com moeda digital e argumenta que boa parte desse valor segue presa em sistemas que não conversam entre si.
A plataforma está disponível desde esta quinta-feira pela BVNK, e a conta global de dinheiro é o primeiro produto a sair da integração entre as duas empresas.
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