PancakeSwap paga mais à liquidez e a queima do token diminui
Uma fatia de 88% das taxas cobradas em cada troca passaria a ficar com quem fornece liquidez, e a criação diária de CAKE cairia perto de 69%. As duas mudanças estão em uma proposta publicada na quarta-feira, 14 de outubro, no fórum de governança da PancakeSwap pelo grupo que assina como The Kitchen, a equipe central do projeto. O texto está aberto a comentários e ainda não foi levado a votação, o que deixa todos os números sujeitos a mudança.
São 11 redes atendidas pela plataforma, entre elas a BNB Chain, a Ethereum, a Base, a Solana e a Arbitrum. As pools v2, mais antigas, ficam de fora da mudança.
O que muda para quem fornece a liquidez
Hoje, quem deposita ativos nas pools v3 e nas Infinity fica com 66% a 68% das taxas geradas em cada troca, e o protocolo retém o restante. Pelo desenho novo, essa fatia sobe para 88%, e os 12% que sobram vão para o tesouro da PancakeSwap. A equipe estimou que, se a divisão já valesse sobre o volume negociado ao longo de 2025, esses fornecedores teriam ficado com US$ 62 milhões em taxas adicionais.
A fatia maior chega sozinha, sem resgate, sem travar CAKE e sem contrato novo. As taxas continuam caindo na posição do fornecedor do jeito que já caem hoje.
Para quem negocia, as faixas de taxa seguem as mesmas, então a conta na ponta não muda. A aposta da equipe é que o dinheiro extra atraia mais capital para dentro das pools, o que engrossa o volume disponível atrás de cada ordem, reduz o impacto no preço de operações grandes e melhora a cotação final de quem troca um ativo por outro.
A equipe dá um exemplo simples. Em uma pool que arrecada US$ 1.000 em taxas, US$ 880 ficariam com quem forneceu a liquidez.
Uma exceção muda esse quadro. Nas pools Infinity que já existem, a fatia do fornecedor ficou fixada na criação, então o corte na parcela do protocolo derruba o total cobrado na troca. Uma pool de 1% ficaria em cerca de 0,76%, e quem fornece teria a fatia maior de um total menor, sem o ganho das pools v3.
A emissão menor e a insatisfação de quem mantém o CAKE
A segunda parte da proposta mexe na emissão. A PancakeSwap emite hoje 22.500 CAKE por dia como recompensa, e a ideia é reduzir esse volume para 7.000, uma redução de aproximadamente 69%, o que retira 5,7 milhões de CAKE por ano do mercado. Os 7.000 diários abasteceriam o Pantry, um fundo novo que a equipe usaria para custear marketing, acertos com parceiros e a liquidez inicial de pools recém-criadas.
Nas pools v2, o desenho não muda. As taxas delas estão fixadas em contrato desde o começo, e o protocolo continua mandando 23% do que arrecada ali para a queima.
A proposta enfrentou resistência. Com o corte, as pools v3 e as Infinity deixam de alimentar a queima do CAKE, e quem acompanha a governança percebeu. Um participante que assina como Juapia escreveu que a proposta não deixa claro que a queima acaba nessas duas versões, e sugeriu destinar parte dos 12% que vão ao tesouro para essa função. Outro, que se identifica como PancakesLover, escreveu que a mudança retira valor de quem mantém o CAKE e que votaria contra.
Um terceiro, o matrdolfo, diz ter CAKE desde 2021 e calculou que, em 12 meses, a proposta retiraria 10,4 milhões de CAKE do volume anual que hoje se destina a recompras e queimas, uma queda de 3,16%. Ele defende ainda o corte do teto de oferta, hoje em 400 milhões, para 350 milhões, como forma de garantir que a emissão não volte a crescer.
A discussão somava 15 mensagens e 700 visualizações nesta quinta-feira, e a maioria dos que comentaram ia contra a proposta.
A equipe respondeu em uma única mensagem, publicada no dia seguinte, e escolheu enfrentar o ponto da queima diretamente. Escreveu que setembro fechou o 37º mês seguido de redução líquida e que a oferta recuou 60 milhões ou mais desde o pico, cerca de 15% do total. Na avaliação da The Kitchen, a inflação está sob controle e o que define o CAKE agora é o tamanho da operação que o sustenta, medida em volume negociado e em taxa arrecadada.
A própria equipe admite que a queima semanal será menor. O que ela sustenta é que a oferta segue caindo toda semana e que isso basta para chegar à meta de corte até 2030 antes do prazo.
O ritmo usado no cálculo sai das 10 semanas mais recentes, quando a oferta encolheu perto de 190 mil CAKE a cada sete dias, o que dá algo como 3% em doze meses. Para cumprir o corte de 20% previsto na Tokenomics 3.0, restam 31,6 milhões, um resgate que esse passo colocaria no fim de 2029.
O que já foi cortado e o que falta votar
O histórico ajuda a medir o tamanho da briga. O teto de oferta saiu de 750 milhões de CAKE para 450 milhões no primeiro corte, aprovado pela comunidade em dezembro de 2023.
Em janeiro deste ano, uma segunda votação reduziu o teto para 400 milhões, e a mudança entrou em vigor no dia 19. Com a Tokenomics 3.0, em vigor desde abril de 2025, a emissão diária caiu de cerca de 40 mil para as 22,5 mil atuais. A oferta em circulação está perto de 318 milhões de CAKE, e o valor de mercado beira US$ 692 milhões.
O CAKE valia US$ 2,17 nesta quinta-feira, cerca de 3% abaixo do nível de 24 horas antes. A cotação equivale hoje a menos de 5% da máxima histórica de US$ 43,96, registrada em abril de 2021.
Se a proposta passar, a troca começa em novembro, até duas semanas depois da aprovação, e leva cerca de 12 semanas para chegar a todas as redes e termina antes de fevereiro de 2027. Não há data marcada para a votação, e a The Kitchen afirmou que só fecha a versão final após revisar o que foi discutido no fórum.
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