# MEXC atinge 297% em reserva de BTC, mas relatório mensal não equivale a auditoria
A MEXC divulgou nesta segunda-feira sua demonstração de ativos do mês de setembro, verificada pela Hacken com captura de 10 de setembro. A proporção de bitcoin em reserva subiu para 297%, ante 288% em agosto, o que significa que a exchange mantém quase o triplo do volume de bitcoin que seus usuários têm registrado em conta.
Os dados mostram que a corretora guarda 12.202,13 bitcoins para cobrir 4.106,57 bitcoins pertencentes a clientes.

Os demais ativos monitorados também aparecem com sobra em relação aos saldos dos clientes. O USDT soma 119%, com reservas de aproximadamente 1,82 bilhão de tokens contra 1,52 bilhão em saldos de usuários, e o USDC chega a 111%, assim como o ether, cada um com reservas próximas de 300 milhões de dólares e 58,9 mil unidades, respectivamente.
Os números constam de um documento de acesso público, disponível na própria página de comprovação mantida pela corretora.

O sistema se apoia em uma árvore de Merkle. Cada usuário pode confirmar que o próprio saldo entra na soma total, sem precisar abrir os dados dos demais clientes. Concorrentes de grande porte usam o mesmo método desde 2022.
Nesta rodada, a Hacken avaliou quatro frentes, prova de passivos, prova de titularidade, cálculo dos ativos em custódia e uma avaliação geral do processo.
O que o relatório confirma e o que fica de fora
É importante entender os limites desse tipo de verificação antes de tratá-la como equivalente a uma auditoria financeira completa. Uma demonstração de ativos baseada em árvore de Merkle confirma que, no momento exato da captura, os ativos registrados na blockchain e controlados pela exchange superam o que ela própria declara dever aos usuários naquele ativo específico. O processo não avalia passivos fora da rede, como obrigações em moeda fiduciária, empréstimos contraídos pela empresa ou compromissos com terceiros que não sejam os próprios clientes da plataforma.
Também não existe, nesse tipo de relatório, uma opinião formal sobre os controles internos da empresa, como ocorre em auditorias financeiras tradicionais.
Isso não invalida o exercício de transparência, mas explica por que analistas do setor costumam tratar a demonstração de ativos como um retrato parcial, útil para reduzir um tipo específico de risco, o de reservas insuficientes em criptoativos, sem cobrir todo o espectro de riscos que uma corretora centralizada pode carregar.
Esse olhar desconfiado ganhou força no mercado depois de colapsos de corretoras que, até pouco antes de quebrar, também divulgavam números de reservas aparentemente saudáveis. O fato de ser uma fotografia instantânea também significa que o saldo poderia, em tese, mudar logo depois da data de corte.
A publicação mensal, prática que a MEXC mantém há um tempo, reduz parte desse risco ao tornar o exercício recorrente em vez de um evento isolado, ainda que não elimine por completo a possibilidade de movimentação de fundos entre uma captura e outra.
Fundos de proteção além das reservas
Além da demonstração em si, a corretora mantém dois mecanismos adicionais voltados à proteção de usuários. O Futures Insurance Fund, destinado a absorver perdas ligadas a liquidações em momentos de estresse no mercado, registrava saldo de cerca de 798 milhões de dólares em USDT no momento da publicação do relatório.
Existe ainda o Guardian Fund, estrutura que combina reservas em USDT e bitcoin para cobrir eventuais problemas ligados à própria operação da plataforma e que somava cerca de 101 milhões de dólares, segundo a empresa, devendo chegar a 500 milhões dentro de dois anos.

A MEXC opera desde 2018 e hoje se posiciona como plataforma de negociação sem cobrança de taxa em mais de 170 mercados, incluindo criptoativos, derivativos e produtos ligados a ativos tradicionais tokenizados.
O aumento na cobertura de bitcoin e a manutenção de reservas acima de um para um nos demais ativos são dados concretos e verificáveis por qualquer usuário através da própria ferramenta da exchange. Ainda assim, tratar esse tipo de relatório como garantia plena de segurança financeira segue sendo um exagero comum entre usuários menos familiarizados com o que a metodologia de comprovação efetivamente audita, e o que continua fora do seu alcance.
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