NEAR Intents perde US$ 3,8 milhões
O NEAR Intents parou de operar nesta quinta-feira, 1º de outubro, depois de identificar uma invasão. Em nota publicada no X pouco depois das 9h no horário de Brasília, a equipe calculou o prejuízo preliminar em US$ 3,8 milhões.
A empresa prometeu devolver o valor integral a quem perdeu dinheiro. O caso foi levado às autoridades, e empresas de segurança acompanham o rastro dos fundos.
A integração entre o protocolo e a Omni ficou no centro do caso. Segundo o comunicado, foi um erro na forma como o sistema de depósitos e saques da Omni conversa com o contrato do NEAR Intents, a peça que registra e liquida cada troca de ativos. O trecho vulnerável do contrato foi corrigido no mesmo dia, e o serviço principal deveria voltar ao ar perto de uma hora depois do anúncio.
Para o usuário, a parte mais visível é a parada nas onze redes. Depósitos e saques ficam bloqueados por aproximadamente doze horas adicionais em BNB, Polygon, TON e Optimism. A lista segue com Avalanche, Stellar e Monad, além de LayerX, Adi, Scroll e Plasma. O tempo extra serve para concluir os ajustes na infraestrutura da Omni.
Segundo a equipe, quem tem ativos dessas redes guardados dentro do protocolo continua com acesso a eles. Depois que o serviço voltar, esses saldos poderão ser trocados por outros ativos, inclusive os que estiverem na carteira quente mantida pela empresa e no near.com. A garantia vale para os depósitos e para os saques que ficaram presos.
O alerta veio de fora
Quem levantou a suspeita primeiro foi o investigador on-chain ZachXBT. Ele apontou uma sequência de saídas fora do padrão numa carteira quente que o protocolo mantém na rede BNB, a conta que cobre os saques dos clientes. O dinheiro teria ido para a corretora KuCoin e, de lá, atravessado uma ponte até o bitcoin.
A empresa não confirmou o caminho do dinheiro nem o número fechado. O valor foi divulgado pela própria equipe, que prometeu detalhar o caso em um relatório técnico. Nesse tipo de apuração, o total costuma mudar depois que os endereços são etiquetados e as transações, conferidas uma a uma.
Três dias antes, o mesmo serviço barrou US$ 50 milhões
Na semana passada, o NEAR Intents apareceu do lado de quem barra invasores. Seu sistema de risco, o SHIELD, identificou mais de US$ 50 milhões em tentativas de movimentação ligadas ao roubo de US$ 387,5 milhões que atingiu a corretora Bitget, travou US$ 503 mil no meio de uma operação e deixou passar cerca de US$ 166 mil.
A empresa ainda abriu mão da recompensa de recuperação oferecida pela corretora, que pagava 5% pelo congelamento e outros 5% pela devolução dos valores. A CEO da Bitget, Gracy Chen, agradeceu publicamente e escreveu que fechar a porta para fundos roubados deveria virar padrão no setor.
Desta vez, a falha atingiu o próprio NEAR Intents, na porta de entrada e saída dos ativos. O protocolo move valores entre mais de trinta redes sem exigir que o cliente faça a ponte na mão. A pessoa descreve a troca que quer, e uma rede de operadores compete para executá-la. Esse desenho cria um ponto de controle sobre o que passa por ali, o mesmo que permite travar dinheiro ligado a roubo.
A rede NEAR em si não aparece entre os alvos. O que parou foi o serviço de troca e a ponte que conecta o protocolo às outras redes.
Em abril, a Rhea Finance, maior plataforma de crédito da mesma rede, viu o prejuízo de uma invasão subir de US$ 7,6 milhões para US$ 18,4 milhões. Com o caso desta quinta, o ecossistema do NEAR soma dois episódios de peso no ano.
O ETF de NEAR estreou dois dias antes
O episódio caiu na semana de estreia do primeiro fundo à vista de NEAR nos Estados Unidos. Na terça-feira, 29 de setembro, a gestora Bitwise começou a negociar o produto na bolsa NYSE Arca. O fundo atraiu US$ 35,5 milhões em entradas líquidas no primeiro dia e chegou a US$ 52,8 milhões sob gestão no segundo.
A Bitwise usou a força do NEAR Intents para justificar o fundo, citando mais de US$ 32 bilhões já movimentados pelo serviço em trocas entre redes. O NEAR vinha de um setembro forte, com alta de cerca de 175% antes da estreia do produto. Nesta quinta, o token devolveu parte do ganho e operava perto de US$ 4,96, queda de aproximadamente 7% em 24 horas, com valor de mercado na casa dos US$ 6,5 bilhões.
A empresa afirma que vai publicar o relatório completo, com o valor fechado e o rastro dos fundos. As retiradas nas onze redes voltam depois que os ajustes na infraestrutura da Omni forem concluídos.
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