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Stablecoins chegam perto do volume da Visa, mas os dois números medem coisas diferentes

Um gráfico que circula desde a quarta-feira coloca as stablecoins e a Visa na mesma pista e aponta um vencedor por velocidade. A peça afirma que a Visa precisou de 66 anos para acumular US$ 17 trilhões de volume anual e que as stablecoins alcançariam o mesmo patamar em 12. O desenho, montado com dados de Visa, Mastercard e Artemis, projeta exatamente US$ 17 trilhões para as stablecoins em 2026.

A curva por trás da frase explica a repercussão. O volume anual saiu de US$ 0,6 trilhão em 2020 para US$ 3,6 trilhões em 2021, ficou entre US$ 4,1 trilhões e US$ 4,2 trilhões em 2022 e 2023, subiu para US$ 6,1 trilhões em 2024 e alcançou US$ 11,2 trilhões em 2025. A projeção para este ano encosta na linha da Visa no gráfico.

Os 66 anos vêm da fundação da Visa, em 1958, quando a bandeira ainda se chamava BankAmericard. Os 12 anos vêm do USDT, o primeiro dólar digital de alcance global, criado em 2014 pela Tether sob o nome Realcoin. É o contraste entre mais de meio século de cartões e pouco mais de uma década de ativos atrelados ao dólar que dá força à comparação.

O que cada um desses números mede

Os dois valores descrevem operações diferentes. O volume de US$ 17 trilhões da Visa é gasto final, a soma das compras feitas com cartões da bandeira ao longo de um ano. Nas stablecoins, o número equivalente mede tudo que se move nas redes, e isso inclui negociação entre corretoras, operações automatizadas, empréstimos e transferências que fazem a mesma moeda circular várias vezes no mesmo dia.

A própria Visa mantém um painel para separar as duas coisas. Nele, o volume bruto das stablecoins supera US$ 51 trilhões no acumulado de um ano. O número ajustado, que retira robôs, arbitragem e movimentação interna de corretoras, fica perto de US$ 10 trilhões no mesmo intervalo. É menos da metade do bruto.

Quando o recorte aperta para pagamento de verdade, o número encolhe mais. Um estudo da McKinsey com a Artemis situou em US$ 390 bilhões o volume efetivo de pagamentos com stablecoins em 2025, algo próximo de 0,02% de tudo que circula no sistema financeiro tradicional. A competição com o cartão acontece nessa fatia.

O recorte mais duro também cresceu. O volume bruto das stablecoins subiu 72% em 2025 e chegou a US$ 33 trilhões, na medição da Artemis. A liquidação mensal das stablecoins superou a rede ACH dos Estados Unidos, que processa US$ 6,8 trilhões por mês, no início de 2026.

Os cartões aderem ao mesmo trilho

Visa e Mastercard não veem as stablecoins como ameaça. A Visa opera um piloto de liquidação direta em stablecoins que chegou a nove redes em abril e alcançou US$ 7 bilhões em taxa anualizada, 50% acima do trimestre anterior. São valores pequenos perto dos US$ 4 trilhões que a empresa processa a cada três meses, e o caminho escolhido foi integrar a tecnologia à própria rede.

A Mastercard anunciou em junho a ampliação da liquidação para stablecoins reguladas, entre elas o USDC, o PYUSD e o RLUSD, em redes como Ethereum, Solana e Polygon. Em agosto, concluiu a compra da BVNK, empresa de infraestrutura que conecta o dinheiro tradicional às stablecoins, por até US$ 1,8 bilhão.

O sistema bancário seguiu o mesmo caminho. O SoFiUSD, primeiro dólar digital emitido por um banco nacional dos Estados Unidos, foi lançado em dezembro de 2025 e chegou aos clientes do banco em maio. O ativo tem paridade de um para um com o dólar e reservas mantidas em caixa.

A regra chega depois do mercado

A lei americana das stablecoins, conhecida como GENIUS Act, foi assinada em 18 de julho de 2025 e deu às stablecoins um enquadramento próprio. A regulamentação ficou atrás do calendário. O prazo para as regras finais terminava em julho de 2026, e só em 24 de setembro o Federal Reserve abriu consulta pública sobre exigências de reserva e capital para os emissores. Uma norma do Tesouro com o mesmo propósito passou a valer em 30 de setembro.

O atraso não travou o mercado. O valor total em stablecoins em circulação fechou setembro perto dos US$ 305 bilhões, depois de bater US$ 320,6 bilhões em maio, com US$ 183,8 bilhões em USDT e US$ 74,6 bilhões em USDC.

O dinheiro parado em stablecoins soma US$ 305 bilhões, menos do que a Visa processou em um único trimestre. No período encerrado em junho, a rede passou de US$ 4 trilhões em pagamentos pela primeira vez em sua história, com alta de 10% sobre o ano anterior.

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