No Canadá, o cripto que mais anda é o de quem manda dinheiro para casa
A economia de cripto mais forte do G7 na conta entre pessoas é a do Canadá, e o levantamento anual da Chainalysis aponta duas razões para isso. A primeira é a população estrangeira do país, a maior entre as sete economias mais ricas do mundo. A segunda é o preço de mandar dinheiro para fora pelo caminho tradicional.
Quase 23% dos canadenses nasceram fora do país. A taxa de imigrantes é a maior entre as sete economias do G7 e sustenta boa parte desse volume.
A rota que passou a ser usada
Os números mostram onde essa rota cresceu. Na janela de 12 meses encerrada em junho, as remessas pequenas com origem no Canadá e destino à Índia, às Filipinas e à China somaram US$ 2,36 bilhões, alta de 141%. Foram 3,56 milhões de operações, cada uma com valor médio de US$ 663, feitas por cerca de 75,1 mil pessoas diferentes a cada mês.
Só para as Filipinas foram US$ 61,04 milhões em 73.564 transferências, com alta de 28% no valor e de 34,7% no número de operações.
O motivo é uma conta simples. Mandar dinheiro do Canadá para outro país custa, em média, 6,7% do valor, pela medição do Banco Mundial. É a diferença entre essa tarifa e o custo de uma transferência em dólar digital que faz a rota mudar de mão. Os três países asiáticos já respondem por 19,4% do valor enviado em stablecoin, quase o dobro da fatia de um ano antes.
As remessas globais somaram cerca de US$ 905 bilhões em 2024, e outros países já tentaram digitalizar esse mercado, como mostramos no caso de El Salvador.
O que separa o Canadá dos Estados Unidos
A comparação dentro do próprio levantamento chama atenção. Na medição geral de adoção, os Estados Unidos ficam em segundo lugar e o Canadá em décimo. Quando a conta considera só o dinheiro que troca de mão entre pessoas, a ordem se inverte, com o Canadá em sétimo lugar no mundo e os americanos em vigésimo. O Canadá também lidera a conta de fluxos entre países na medição de grandes valores.
A economia canadense movimentou US$ 247,7 bilhões no período, alta de 2,3% em um mercado maduro e bem menor que o do vizinho.
A Chainalysis faz uma ressalva que vale registrar. O volume entre pessoas no Canadá acompanhou o tamanho da população com visto temporário desde a metade de 2021, subindo e descendo junto com o número de vistos de estudo concedidos a indianos, chineses e filipinos. A relação é de associação, e não de causa, como o próprio relatório diz. A explicação mais provável é direta. Quem tem uma vida financeira que atravessa fronteiras adota o caminho mais barato quando ele aparece.
O Brasil aparece no topo do levantamento global da mesma empresa, com US$ 252,5 bilhões movimentados no período, como mostramos em setembro.
O caso canadense ilumina uma parte do mercado que fica fora das manchetes. Quem envia dinheiro para a família não está procurando valorização, e sim uma forma mais barata de a transferência chegar. É esse tipo de uso que sustenta o volume canadense, e é ele que explica por que o país aparece tão acima na conta entre pessoas e tão abaixo no volume total. Enquanto a diferença de preço entre o banco e o dólar digital existir, a rota alternativa tem espaço para crescer.
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