No Zcash, a defesa contra o computador quântico começa pelos endereços à vista
O Zcash quer fechar janeiro com uma forma nova de assinar os pagamentos da rede, uma que não dependa da matemática que o computador quântico promete quebrar. O prazo foi colocado em um texto de engenharia publicado nesta sexta-feira pela equipe do Zakura, um dos programas de nó que rodam a rede.
Roman Akhtariev assina o texto. A frase que resume a meta é curta. A equipe planeja levar ao Zcash, em janeiro, um conjunto de comandos que abre espaço para um tipo de assinatura resistente ao computador quântico.
Nenhuma data de ativação na rede principal foi confirmada até agora. O detalhe separa um plano de uma mudança no ar, e atualizações desse porte costumam passar por testes, revisão e coordenação entre quem opera os nós antes de valer em definitivo.
Os pagamentos públicos entram primeiro
O alvo inicial são os pagamentos transparentes, aqueles que deixam à vista quem envia, quem recebe e o valor. As transações blindadas, que deram fama ao Zcash por esconderem essas mesmas informações, ficaram para uma etapa separada.
A escolha tem relação com tamanho. Nesta quinta-feira, os endereços transparentes reuniam pouco menos de 12 milhões de ZEC, perto de 70% das quase 17 milhões de moedas já emitidas. Os outros 4,95 milhões estão nas áreas blindadas da rede.
Entender a exposição não pede mergulho em criptografia. Para gastar uma moeda, o dono precisa provar que conhece a chave secreta do endereço. Um endereço transparente carrega apenas um resumo da chave pública, e esse resumo fica escondido enquanto o dinheiro não se move.
A brecha aparece no gasto. Ao enviar as moedas, o dono revela a chave pública que sustenta a assinatura, e ela passa a ficar registrada. É sobre essa chave revelada que um ataque quântico futuro trabalharia, tentando o caminho de volta até a chave secreta.
A proteção que já dá para testar
Uma proteção parcial já está no ar em fase experimental. A equipe do Zakura propõe trocar de endereço a cada gasto, deixando para trás o endereço usado e trazendo um novo, cujo resumo de chave ainda não foi exposto.
Há um segundo cuidado, voltado para a carteira. Ao consultar o saldo em um servidor, ela costuma entregar de uma vez todos os endereços do mesmo dono, e o servidor passa a saber quem é quem. Uma técnica de consulta privada corta esse vazamento. Ela deixa a carteira conferir os endereços que vão sendo trocados sem apontar ao servidor qual deles está na mira.
O recurso aparece na Vizor, a carteira da equipe, em um ajuste chamado de consultas privadas. Ainda não existe um fluxo pronto que junte as duas pontas em uma única operação para o usuário comum.
O caminho mais longo
A rede não parte do zero na preparação quântica. Em julho, uma atualização criou uma área nova de moedas com mecanismo de recuperação, pensada para o dia em que a proteção atual tiver de ser desligada por segurança.
Em primeiro de outubro, o Shielded Labs iniciou um projeto batizado de Epoch. O projeto mira o fim de 2027 para chegar a uma criptografia pós-quântica madura o bastante para produção, e essa é a frente que deve alcançar o lado blindado.
O lado blindado exige um caminho próprio. A criptografia que sustenta as transações privadas é construída de outra forma, e o trabalho feito para os pagamentos públicos não se transporta para lá sem mudanças.
O ZEC era cotado a US$ 1.230 nesta sexta-feira, abaixo do pico registrado no fim de setembro.
Na prática, quem guarda moedas na área blindada do Zcash segue na mesma situação por enquanto. A proteção nova, se chegar em janeiro, vai alcançar primeiro quem mantém as moedas em endereços que nunca escondem nada.
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