O ethereum está trocando a Binance pela carteira própria em ritmo recorde
Os investidores retiraram ethereum da Binance no maior ritmo já registrado, apesar da queda do preço do ativo. As reservas da exchange recuaram ao menor patamar nos últimos seis meses, em um movimento que contraria a lógica de quem costuma vender na baixa.
Os dados da CryptoQuant mostram que a Binance entrou em outubro com 3,47 milhões de ETH. Três dias antes, a exchange guardava 3,57 milhões de ethereum.
Em agosto, eram 3,92 milhões de ETH. A queda desde então chega a 11,5%, e o recuo foi gradual, sem um único dia que explicasse o movimento inteiro. Foram 100 mil ethereum a menos em apenas três dias. Ao preço desta sexta-feira, o saldo vale US$ 8,7 bilhões.
O recorde apareceu nos saques. Em uma única jornada, no dia 6 deste mês, pouco mais de 320 mil retiradas de ethereum passaram pela Binance, o maior número diário da série acompanhada pela plataforma.
O que um saque costuma indicar
Ethereum parado em uma exchange está pronto para se transformar em ordem de venda. Fora dela, na carteira do próprio investidor, o ativo sai do alcance de um clique, e os saques costumam ser lidos como indício de que o dono pretende segurar a posição por mais tempo.
Parte desse ethereum pode seguir para staking ou para outras aplicações da rede, em busca de rendimento. O que os dados mostram é apenas o instante em que o ativo deixa a exchange. Onde ele para depois, os números não dizem.
O recorde mede a quantidade de saques. Cada transação pode levar de uma fração até milhares de ethereum, e uma marca tão alta sugere muitos donos retirando ao mesmo tempo.
A queda do preço não interrompeu a saída
O movimento ocorreu em um período ruim para o mercado. O ethereum perdeu entre 10% e 11% em três dias, e o valor de mercado do ativo encolheu US$ 38 bilhões.
As demais altcoins seguiram a mesma direção e, somadas, encolheram US$ 110 bilhões na mesma janela de três dias.
O ethereum havia subido com força em setembro e devolveu parte do ganho, voltando ao preço que tinha um mês antes. A queda não interrompeu as retiradas da Binance.
Ao longo de 2026, os saques têm marcado mais uma preferência por guardar o ativo do que por colocá-lo à venda, e outubro seguiu o mesmo padrão.
Os fundos de índice foram na direção oposta
Os fundos de ethereum negociados nos Estados Unidos contam outra história. Os ETFs de ethereum à vista registraram oito dias seguidos de saída em outubro, com US$ 580 milhões devolvidos aos cotistas.
Em um fundo, a saída significa resgate de cotas e menos exposição ao ativo. Na exchange, o saque aponta para o lado oposto, o da carteira particular. Os dois movimentos aconteceram na mesma semana e em sentidos contrários.
Isso separa dois grupos de investidores. Quem operava na Binance levou o ethereum para fora, enquanto parte do dinheiro dos fundos procurou a porta de saída.
A queda também reacendeu a disputa sobre o próximo passo do preço. O ethereum voltou ao limite inferior da faixa em que vinha se movendo para cima, e o índice de força relativa está perto de 23, leitura que costuma apontar sobrevenda. O perfil conhecido como Batman projetou uma recuperação até US$ 2.700 e, depois, US$ 3.000, caso esse limite se sustente. O analista Ted Pillows alertou que o ativo está exatamente na média móvel das últimas 100 semanas e que uma semana fechando abaixo desse ponto pode levar o preço para menos de US$ 2.400.
O ethereum operava perto de US$ 2.500 nesta sexta-feira, cerca de metade abaixo do pico histórico de US$ 4.946.
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