O cartão da Square poderá devolver o cashback em bitcoin
A Block informou nesta terça-feira, 13 de outubro, que quem usa o cartão da Square poderá receber em bitcoin o cashback das compras. A empresa ainda não detalhou as condições da novidade nem uma data para o início. O cartão é destinado a donos de pequenos negócios que já vendem pela Square, funciona na rede da American Express e é emitido pelo Celtic Bank.
Hoje o cashback do cartão é pago em dólar. O cliente pode depositá-lo em uma conta poupança da Square, transformá-lo em crédito na fatura ou abater a taxa sobre as vendas. A versão em bitcoin passaria a ser uma quarta forma de receber o mesmo benefício.
Os 3% de cashback valem apenas nas transações feitas pelo Square Bill Pay, o serviço da empresa para pagar fornecedores. Em qualquer outra compra, o cartão devolve 1,5%.
A regra do convite e o perfil do cliente
O cartão é oferecido por convite, restrito a vendedores que já operam pela plataforma e atendem a critérios de faturamento e histórico. O limite de crédito acompanha o volume de vendas e pode ser quitado de forma automática com uma parte da receita diária, sem anuidade, tarifa de câmbio ou taxa por atraso. Desde que ampliou a elegibilidade no fim do ano passado, a Square relata que dobrou a base de usuários do cartão.
O que o anúncio não traz é o essencial. Não há prazo de lançamento, critério de elegibilidade nem explicação sobre como o bitcoin chegaria ao cliente, e segue indefinido se os 3% terão as mesmas condições do cashback em dólar.
A novidade se encaixa em uma ofensiva da Block, dona da Square e do Cash App, para aproximar o bitcoin do comércio. Desde o fim de 2025 a empresa libera a aceitação do ativo para comerciantes, sem cobrar taxa ao longo de 2026, e permite converter automaticamente até metade do faturamento diário. O Cash App devolve 5% em bitcoin a quem compra em lojas que usam a Square, com teto mensal de US$ 30, válido até 31 de dezembro.
A Block também levou o ativo a anúncios de televisão e cinema para alcançar quem ainda não o usa, como mostrou esta matéria.
O que muda para o dono do negócio
Para o dono de um negócio pequeno, a opção muda pouco na rotina e bastante no resultado. O cashback acumula o ativo a partir de despesas que ele já teria, como contas de fornecedor, aluguel e seguro, sem passar por uma compra de bitcoin.
O 3% do Bill Pay carrega um detalhe que altera a conta. Pagar uma conta pelo cartão custa 2,9% de tarifa, e os 3% de cashback cobrem esse custo, deixando cerca de um décimo de ponto de margem. O Bill Pay permite quitar fornecedores que não aceitam cartão, com o valor chegando por depósito ou cheque. Na prática, o benefício empata com a taxa cobrada pela própria Square no pagamento.
Um cashback em bitcoin não tem valor fixo. O que o cliente recebe pode valer mais ou menos em dólar conforme o preço do ativo na data do resgate ou da venda, o que difere do cashback pago em moeda corrente.
As duas frentes de incentivo hoje em vigor têm prazo. A isenção de taxa nas compras com bitcoin vale até o fim de 2026, e a promoção de 5% do Cash App termina em 31 de dezembro. Jack Dorsey, cofundador da Block, defende há anos que o bitcoin deve funcionar como dinheiro do cotidiano, e o cartão leva essa defesa para o lado de quem gasta.
Por enquanto, o anúncio existe sem data de início e sem regra de acesso, e o cartão segue restrito a vendedores que recebem convite da Square.
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