O CPI de setembro veio a 3,7% e o bitcoin caiu abaixo de US$ 83 mil
A inflação dos Estados Unidos acelerou em setembro e veio acima do que o mercado projetava. O dado saiu às 9h30 desta quarta-feira, e o bitcoin caiu de US$ 83,8 mil para US$ 82,7 mil nos cinco minutos seguintes. O indicador subiu de 3,4% para 3,7% em 12 meses, acima da projeção de 3,6% do mercado. É a maior taxa desde maio, quando tinha marcado 4,2%.
Na comparação com agosto, os preços avançaram 0,6%, e o acumulado do ano se aproxima de 4%.
O chamado núcleo, que exclui alimentos e energia e é a medida acompanhada mais de perto pelo Federal Reserve, subiu 0,3% no mês e 2,6% em 12 meses. O ritmo mensal repetiu o de agosto, mas a taxa anual ficou acima da projeção de 2,5% e da leitura anterior, de 2,4%. Entre os itens do núcleo, os serviços subiram 0,4% no mês e 3,1% em 12 meses.
A gasolina subiu 9,1% e ficou com mais de metade do avanço do índice cheio em setembro. A energia subiu 5,2% no mês e 20,4% na comparação anual, com a gasolina a 34,2% e o óleo para aquecimento a 74,2%.
A moradia, item de maior peso na cesta, avançou 0,4% no mês e 3,2% em 12 meses. Os alimentos ficaram estáveis, com os itens de supermercado em queda de 0,1%.
A reação nos mercados
O dólar ganhou 0,6% e voltou a 102,8 pontos no índice que compara a moeda americana a uma cesta de divisas. O retorno do papel de dez anos do Tesouro americano subiu a 5,33%, depois de fechar a terça-feira em 5,22%, perto do maior nível desde 2002. Os contratos futuros das ações americanas caíam 0,35%.
O ouro recuou 1,6%, para US$ 4.108 a onça, e chegou à terceira sessão seguida de queda, depois de perder 0,8% nas duas anteriores. A prata perdeu 3,7%.
A queda entre os ativos digitais foi generalizada. O ether caiu 1,9%, para US$ 2.459, o solana perdeu 2%, para US$ 104,70, e o cardano recuou 3%. O bitcoin opera perto de US$ 82,4 mil, com baixa de 1,1% em 24 horas.
O que mudou nas apostas de juro
O preço respondeu ao que o dado mudou nas apostas de juro. Até o início desta semana, os mercados de previsão davam 80% de chance de o juro ficar parado na reunião deste mês, quando a pausa era o cenário dominante. Depois da divulgação, a aposta ficou perto de um empate, com 51,5% para a manutenção e 48,5% para uma alta de 0,25 ponto.
O juro americano está na faixa de 3,75% a 4,00% desde a reunião de setembro. As duas decisões que restam no ano saem em 28 de outubro e em 9 de dezembro.
Dois dirigentes do Fed falaram antes do dado. Na terça-feira, John Williams, que comanda o Fed de Nova York, disse que vê espaço para mais uma alta neste ano e nenhum aperto em 2027. O governador Christopher Waller ligou o juro longo alto ao crescimento da economia e aos gastos com inteligência artificial, e disse que as projeções de preços seguem estáveis.
Para o bitcoin, o caminho do efeito é conhecido. O ativo se move com as condições financeiras, e a combinação de juro longo mais alto e dólar mais forte encarece a aposta em ativos de risco.
Antes da reunião do Fed, ainda sai outro dado de inflação. A leitura de preços ao produtor de setembro é divulgada nesta quinta-feira.
Para o fim do ano, as apostas no rumo do juro se dividem em 53% de chance de uma única alta, 29% de duas ou mais e 16% de nenhuma. Se a segunda hipótese se confirmar, a taxa básica americana termina 2026 na faixa de 4,25% a 4,50%.
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