Blockchain

O minerador recuperou a margem e a rede cobra 5,7% dela na sexta-feira

A conta de quem minera bitcoin aperta na sexta-feira, quando a rede deve elevar sua dificuldade em 5,7% e cortar a receita de quem opera no limite. O ajuste está previsto para o bloco 971.712, por volta das 10h de Brasília, conforme a leitura ao vivo da mempool.space. Para uma máquina de 20 joules por terahash operando com energia a 8 centavos de dólar o quilowatt-hora, a receita do dia deixa de cobrir a conta de luz.

O cálculo não depende de nenhuma previsão sobre o preço do bitcoin. Mede apenas o efeito da revisão sobre quem já está ligado, e o corte no que cada petahash rende por dia chega a 5,4%.

Na manhã desta quarta-feira, a dificuldade estava em 132,72 trilhões, com 306 blocos faltando para o ajuste. O protocolo recalibra o parâmetro a cada 2.016 blocos, sempre perseguindo o intervalo de dez minutos entre um bloco e o seguinte. Desde a última revisão, os blocos estão saindo a cada 9 minutos e 28 segundos.

A revisão anterior, feita no dia 3 de outubro, passou quase em branco. A dificuldade recuou 0,03% naquela data, o que na prática não mudou a conta de ninguém. O que mudou desde então foi a quantidade de poder computacional ligada à rede, que voltou a crescer e agora opera perto de 1 zettahash por segundo, o equivalente a mil exahashes. Todo esse poder a mais empurra a dificuldade para cima na sexta-feira.

A revisão projetada é uma estimativa e se move a cada bloco encontrado. Na terça-feira, a medição apontava 5,49%. Nesta quarta, já eram 5,7%.

A rede ficou mais rápida e reparte a mesma recompensa

O hashprice, indicador da receita que cada petahash gera por dia antes de custos, rodava perto de US$ 39,6 nesta quarta-feira. O minerador olha essa cifra para decidir se mantém a máquina ligada. Com o ajuste de 5,7% e sem alteração no preço do bitcoin, na recompensa por bloco ou nas taxas, o valor recua para algo perto de US$ 37,4. A redução é de 5,4%, abaixo dos 5,7% da dificuldade, já que o rendimento de cada máquina cai na proporção inversa do esforço exigido pela rede.

Esse equipamento consome 480 quilowatt-horas por dia para cada petahash por segundo que entrega. Com energia a 8 centavos de dólar o quilowatt-hora, o consumo sai por US$ 38,40. A receita de US$ 39,6 deixava uma sobra de US$ 1,20 por dia.

Para essa máquina, o teto de energia que a receita cobre sozinha cai de 8,25 para 7,80 centavos de dólar por quilowatt-hora. Quem opera 25 joules por terahash e paga 6,5 centavos, ou 30 joules e paga 5,5 centavos, cruza a mesma linha na sexta-feira. A conta considera apenas energia, e deixa de fora taxa de pool, refrigeração, reparo e financiamento.

Quem paga a conta primeiro

A margem apertada vale para uma parte da frota. As máquinas que saem de fábrica hoje trabalham entre 8,9 e 12 joules por terahash. Com energia a 8 centavos, uma máquina de 15 joules gasta US$ 28,80 por dia e atravessa o ajuste com folga larga.

O problema está no equipamento de geração anterior, acima de 20 joules por terahash, que só se sustenta com energia muito barata ou com contrato antigo de longo prazo.

O aperto nasce do desenho da rede. A cada 2.016 blocos, o protocolo compara o tempo gasto para achar os blocos anteriores com as duas semanas previstas em projeto. Um ritmo acelerado faz a dificuldade subir, e a mesma recompensa passa a ser dividida entre mais concorrentes.

As taxas deixaram de segurar o caixa

Houve um tempo em que a taxa paga pelos usuários ajudava a fechar a conta nos períodos de aperto. Hoje ela é quase invisível. Nos últimos quinze blocos minerados, a média de taxas ficou em 0,0166 bitcoin por bloco, pouco mais de meio por cento da recompensa de 3,125 bitcoin que a rede paga desde o halving de 2024. O valor não muda na sexta-feira.

O tamanho do bolo ajuda a medir o aperto. A rede distribui por dia quase 450 bitcoins só em subsídios, algo perto de US$ 37,3 milhões. O bitcoin era negociado a US$ 82,8 mil nesta quarta-feira, 34% abaixo do recorde de US$ 126.080 de outubro do ano passado.

A recuperação desde agosto dá peso ao corte de sexta-feira. Naquele mês, quando a rede perdia poder computacional para os data centers de inteligência artificial, a receita por petahash tinha caído para a faixa de US$ 30 a US$ 32. Voltar para perto de US$ 40 devolveu margem a quem sobreviveu àquele período, e a revisão de sexta-feira consome parte dela.

Ao longo de 2026, a rede passou por 20 revisões de dificuldade, 11 delas de queda. A leitura de sexta-feira deve ser a terceira maior alta do ano, atrás do salto de 14,7% em fevereiro e dos 7,2% de junho.

Nada disso altera o preço do bitcoin ou a recompensa de cada bloco. O que sobe é o custo de continuar minerando, e essa conta define quantas máquinas seguem ligadas nas duas semanas seguintes. Se o equipamento menos eficiente desliga, os blocos voltam a sair devagar e a dificuldade recua no ajuste seguinte, devolvendo margem a quem permaneceu ligado.

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