O menor estoque de bitcoin em anos ainda não mexeu no preço
O bitcoin parado nas exchanges caiu ao menor nível em anos e continuou encolhendo no período em que o preço se recuperou das mínimas recentes. Na medição da CryptoQuant, o estoque somava cerca de 2,67 milhões de moedas nesta terça-feira, 13 de outubro, contra quase 2,8 milhões em fevereiro. É uma redução de aproximadamente 130 mil bitcoins ao longo do ano, em um mercado que atravessou semanas de forte oscilação.
A saída de moedas não seguiu o vaivém da cotação, o que afasta a leitura de um movimento preso a um único dia de mercado.
O número mede quanto bitcoin está guardado em endereços controlados por plataformas de negociação. Só quem tem moedas em uma exchange consegue vender direto no livro de ofertas, e por isso esse estoque funciona como a oferta pronta para virar venda a qualquer momento. Quando ele encolhe, a quantidade disponível fica mais fina e cada compra tende a mover o preço com mais facilidade.
O recuo vem de longe e já atravessa mais de dois anos, sem um único episódio capaz de explicar o conjunto do movimento.
Desde o começo de 2024, as exchanges perdem moedas de forma contínua. O estoque estava perto de 3,2 milhões de bitcoins naquele momento, atravessou a alta do ano passado e seguiu caindo durante a correção de 2026. O número diminuiu em cada um dos ciclos de preço do período, e esse padrão sustenta a leitura de que os donos pretendem segurar as moedas por mais tempo.
O que o preço fez até agora
O bitcoin é negociado perto de US$ 83 mil nesta terça-feira, com recuo de 3,5% na semana e ganho de 8,5% no mês, conforme dados da CoinGecko. A oferta mais apertada não impediu o ativo de devolver parte do avanço recente.
Menos oferta disponível não cria, sozinha, mais demanda, e a própria análise que aponta o estoque baixo faz essa ressalva antes de projetar alta.
A leitura da CryptoQuant vem condicionada. O texto sustenta que o encolhimento do estoque favorece uma alta mais longa se a procura por compra melhorar. Sem essa melhora, o preço pode continuar caindo mesmo com a oferta reduzida. O dado descreve a oferta que pode ser vendida, sem medir para onde o preço se move.
Duas contas para um número só
Há também divergência sobre quanto bitcoin está de fato nas plataformas, e a distância entre uma contagem e outra chega perto de um milhão de moedas no total.
Medições distintas colocam o total em faixas bem separadas. Na contagem da CryptoQuant, são cerca de 2,67 milhões de bitcoins. Em outra série, de um provedor com critério próprio para identificar endereços, o número aparece perto de 3,67 milhões. A diferença está em quais carteiras cada empresa consegue atribuir a uma exchange. Os dados da rede são idênticos para todos, e por isso o menor patamar em anos é um fato sobre uma série específica.
Boa parte desse total está concentrada em um punhado de plataformas, e elas nem sempre caminham na mesma direção ao longo do mês.
A Binance respondia por cerca de 663 mil bitcoins no começo de outubro, quase um quarto de tudo que está nas exchanges, depois de perder mais de 40 mil moedas ao longo de duas semanas, na mesma série da CryptoQuant. A saída da maior casa do setor ajudou a puxar o total para baixo, mas o movimento não depende dela, já que as retiradas aparecem em várias plataformas ao mesmo tempo.
O menor nível da série acompanhada pela CryptoQuant foi registrado há poucos dias, no começo deste mês.
O estoque de 2,67 milhões de moedas é o mais baixo em anos, e o bitcoin segue quase um terço abaixo do pico histórico de US$ 126.080, alcançado em outubro do ano passado.
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