O juro de 10 anos a 5,25% trouxe a BlackRock de volta ao Tesouro americano depois de seis anos
O BlackRock Investment Institute, braço de pesquisa da maior gestora de ativos do mundo, passou a recomendar nesta segunda-feira mais títulos do Tesouro americano de prazo curto do que o peso neutro de uma carteira, e devolveu os papéis longos ao peso de mercado. A posição contrária aos títulos do governo americano vinha de outubro de 2020 e era uma das mais antigas da casa. Parte do dinheiro para a compra saiu das ações dos Estados Unidos, que perderam a posição acima da média e voltaram ao peso neutro.
Quando a aposta foi aberta, o juro do papel de dez anos estava abaixo de 0,9%, e nos anos seguintes a casa só devolveu a posição ao peso de mercado em trechos curtos.
O juro que destravou a compra
O mesmo papel rende perto de 5,25% agora, depois de subir 110 pontos-base ao longo deste ano. Os títulos públicos oscilaram com força na semana, e os papéis de dez e de trinta anos bateram o maior nível desde 2002 antes de recuar, em leilões com demanda forte.

O motor da alta, na leitura do instituto, foi o juro real. As expectativas de inflação e o prêmio extra que o investidor cobra para emprestar por mais tempo ficaram fora do movimento. Duas forças empurraram esse juro real para cima, a disputa por capital entre governos e empresas, que leva a taxa neutra da economia a um patamar mais alto, e a inversão das apostas sobre o Federal Reserve depois das tensões no Oriente Médio e da alta do petróleo.
Na conta da gestora, o mercado embutiu desde janeiro 160 pontos-base de aperto adicional do Fed para os 12 meses seguintes. É um exagero, diz a nota. A conta projeta que o juro pode subir até 75 pontos-base em um ano antes de o retorno total do papel ficar negativo.
A preferência é pelo prazo curto, onde o instituto vê mais espaço para as apostas de aperto recuarem. O papel longo foi para o peso neutro, com o argumento de que o juro atual compensa melhor o risco de carregar prazo do que antes, ainda que a disputa por capital abra espaço para ele subir mais. A nota traz uma visão tática de seis a 12 meses para as carteiras, sem registrar negócios fechados.
De onde saiu o dinheiro
As ações americanas entraram na conta como fonte de recursos. A casa tirou o mercado acionário americano da posição acima da média que mantinha e descreveu o corte como gestão de risco de curto prazo, em meio à volatilidade ligada à construção da infraestrutura de inteligência artificial.
Outra parte da compra veio dos títulos lastreados em hipotecas de agências americanas, uma fonte de renda que o instituto considera estável e que voltou ao peso neutro.
A preferência pelas empresas ligadas à inteligência artificial não mudou dentro da fatia neutra em ações, e o instituto mantém posição acima da média em papéis de mercados emergentes e em infraestrutura negociada em bolsa.
O lucro das 500 maiores empresas listadas dos Estados Unidos deve crescer quase 30% no terceiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, projeção da FactSet.
A terceira perna do ajuste está no Japão. A casa carregava uma aposta contra os papéis do governo local desde julho de 2023. Na época, o juro de dez anos do país estava entre 0,4% e 0,5%, e agora passa de 3%. Esse peso foi reduzido, mas o país segue emitindo dívida em volume alto, e o instituto vê espaço para o juro local subir mais.
Do lado de fora dos Estados Unidos, os papéis europeus também recuaram, com a França à frente da queda por causa das contas públicas do país, e o petróleo subiu com o Oriente Médio ainda em aberto.
A nota é assinada por Jean Boivin, que dirige o instituto de pesquisa da gestora, por Wei Li, na estratégia global de investimentos, e por Rick Rieder, na renda fixa global.
O primeiro teste vem na quarta-feira, com o índice de preços ao consumidor de setembro, o último dado de inflação antes da reunião do Federal Reserve de 28 de outubro. O de preços ao produtor sai no dia seguinte.
A gestora diz que está pronta para voltar a aumentar risco quando a visibilidade melhorar e os preços abrirem pontos de entrada melhores, e que o momento pede uma carteira mais dinâmica do que nos anos em que o juro estava baixo. Na renda fixa, a preferência segue nos títulos de mercados emergentes em moeda local.
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