Mercado Crypto

ONDO alcança o maior valor em dez meses e leva US$ 2,1 milhões para as exchanges

A ONDO ganhou 13% em 24 horas e voltou a um patamar que não via desde novembro de 2025, os US$ 0,60. Perdeu força logo depois, e era negociada perto de US$ 0,57.

O movimento contraria a sessão. Enquanto as moedas de maior capitalização perdiam espaço, o token avançou com volume negociado 92% maior que o do dia anterior. A explicação está na rotação de capital para o segmento de ativos do mundo real tokenizados, que reúne títulos públicos, ações e fundos negociados em redes descentralizadas.

Os ativos do mundo real tokenizados somam US$ 38,5 bilhões, e US$ 3,9 bilhões desses estão no ecossistema da Ondo. São 12% do total, e a segunda colocada é a Securitize, com US$ 4,7 bilhões. Mais da metade do mercado continua distribuída entre plataformas menores.

A disputa pelo mercado de ações tokenizadas

No começo de agosto, as ações tokenizadas ocupavam 15% do mercado de ativos do mundo real, o triplo do início do ano. Foi a única categoria que cresceu, e segue pequena em relação ao total.

Ondo, Binance e xStocks dividem 77% do segmento, com US$ 957 milhões, US$ 622 milhões e US$ 600 milhões cada uma, e o restante fica pulverizado entre dezenas de emissores pequenos. Todas negociam representações sintéticas, em que o token acompanha o desempenho da ação sem dar propriedade nem direito de voto ao titular. Securitize e Superstate tentam o caminho oposto, emitir a ação na rede com os mesmos direitos do papel.

Em maio, o valor travado na Ondo Stocks passou da marca de US$ 1 bilhão, menos de oito meses depois do lançamento. São mais de 260 ações e ETFs com cotas em Ethereum, Solana e BNB Chain, acessíveis a quem já usa corretoras e carteiras abertas a esse tipo de ativo.

A Ondo afirma ter mais de 70% das ações tokenizadas em circulação, número que a RWA.xyz confirma, e já negociou US$ 18 bilhões desde a estreia. O quadro de agosto mostra menos, porque a fatia dela nos US$ 2,8 bilhões do segmento fica perto de um terço. As duas medidas contam histórias diferentes, e a distância entre elas é o tamanho do que ainda está em disputa.

Títulos do Tesouro e a entrada na infraestrutura americana

Em março de 2026, os títulos do Tesouro tokenizados somavam US$ 12,99 bilhões, contra os US$ 4 bilhões com que 2025 havia começado. A expansão de 225,5% levou o total a passar a marca de US$ 10 bilhões em 11 de fevereiro, um patamar que não existia até então.

A liderança desse mercado trocou de mãos no intervalo. A USDY, da Ondo, tinha US$ 1,31 bilhão de capitalização e 10,1% do segmento ao fim de março, atrás da USYC, da Circle, com US$ 2,69 bilhões, e da BUIDL, da BlackRock, com US$ 2,17 bilhões. A fatia da Circle chegou a 43,8%, caiu para 3,5% em julho de 2025 e só depois se recuperou.

Em 16 de setembro, a Oasis Pro Markets, corretora registrada nos Estados Unidos e subsidiária da Ondo, virou a primeira empresa de tokenização a entrar na Fund/SERV, da DTCC. Por ela passam mais de 85% das transações de fundos mútuos do país, o que dá à Ondo acesso a distribuidores que já usam essa via, sem liquidar por conta própria. Nenhuma empresa do setor tinha entrado por ali antes, e isso muda o que a tokenização significa para quem distribui fundos nos Estados Unidos.

Uma carteira inteira dentro de um token

Oito dias depois, a Ondo lançou os Intelligent Portfolios, três produtos tokenizados que seguem carteiras desenhadas pela BlackRock para a Ondo. Um busca renda, outro crescimento diversificado e o terceiro crescimento acelerado. Negociados como qualquer outro ativo digital, dispensam conta em corretora.

Cada token dá exposição a um conjunto de posições e é rebalanceado em calendário fixo por regras escritas em contrato. O titular não monta nem monitora a carteira, e o token ainda serve de garantia em operações de crédito descentralizado.

A alta do dia veio acompanhada de venda. O fluxo líquido à vista alcançou US$ 2,1 milhões em 28 de setembro, contra US$ 1,8 milhão no dia anterior, o que mostra entrada de tokens nas exchanges maior que a saída. É o que costuma acontecer quando o preço sobe rápido, e ajuda a explicar o recuo de US$ 0,60.

O quadro técnico ainda não virou. A divergência do RSI marcava 3,9, mesmo em queda, e o RVGI continuava do lado positivo da própria média. Os dois apontam para baixo, e nenhum sinal de força estrutural se manteve de pé com o preço recuando. Se a venda prosseguir, o gráfico projeta US$ 0,51 no caminho. Se o ritmo arrefecer, a reconquista de US$ 0,60 volta à mesa e US$ 0,68 entra como alvo de curto prazo. São leituras de gráfico, não previsões, e qualquer movimento de liquidez mais forte as desfaz.

A Ondo administra US$ 3,9 bilhões em ativos tokenizados e ainda fica atrás da Securitize. A distância entre as duas é de US$ 800 milhões.

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