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Pentágono chama Musk para mapear as guerras das próximas décadas

O Departamento de Guerra dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira (30) que Elon Musk vai co-dirigir o Project Meridian, um levantamento de 120 dias sobre como o país pretende combater nas próximas décadas. O anúncio foi feito pelo secretário Pete Hegseth durante um discurso na base de Quantico, na Virgínia, dirigido a oficiais e suboficiais de patentes mais baixas.

Na co-direção, Musk tem a companhia de Palmer Luckey, que comanda a Anduril, e de Newt Gingrich, que presidiu a Câmara dos Deputados. Emil Michael, responsável pela área de tecnologia da pasta, facilita o trabalho.

O escopo é amplo. O estudo deve cobrir do subsolo profundo à fronteira cislunar, a faixa de espaço que circunda a Lua, e o memorando que o criou lista inteligência artificial, autonomia, energia direcionada, robótica e biotecnologia entre os campos que devem alterar a forma de fazer guerra. O relatório final precisa chegar às mãos de Hegseth até 28 de janeiro de 2027, em uma versão pública sem classificação acompanhada de um anexo sigiloso.

A função é consultiva. Musk não terá comando sobre tropas, orçamento nem sobre a compra de armamentos, e o texto que Hegseth assinou não traz o nome dele em nenhum trecho.

O balanço que a DOGE não entregou

Entre janeiro de 2025 e julho deste ano, Musk esteve à frente da DOGE, a unidade de corte de gastos criada por ordem executiva no primeiro dia do segundo mandato de Donald Trump. Na campanha de 2024, ele falou em cortar US$ 2 trilhões do orçamento federal, número que recuou para US$ 1 trilhão nos primeiros meses de operação. Ao longo de sua vigência, a unidade reportou US$ 215 bilhões em economias somando todas as categorias, das quais US$ 110,3 bilhões vinham de contratos, subsídios e aluguéis.

A unidade encerrou as atividades em 4 de julho de 2026 sem entregar balanço final. O diretor do Escritório de Gestão e Orçamento, Russ Vought, disse a parlamentares que não havia plano de publicar um relatório de encerramento.

Uma auditoria do Government Accountability Office, divulgada em agosto, revisou os números publicados no mural de economias da DOGE e encontrou lacunas. O órgão não conseguiu verificar como foram calculadas 96% das economias atribuídas a subsídios, e a maior parte das economias de contratos não seguiu a metodologia que a própria unidade havia declarado. A DOGE também não respondeu aos questionamentos da auditoria.

Em outro caso descrito no relatório, a unidade reportou US$ 1,7 bilhão em economias em um contrato de serviços de tecnologia do Defense Health Agency, que atende mais de 700 unidades de saúde militar. O contrato nunca foi rescindido.

Dos 264 aluguéis que a DOGE listou para rescindir, 108 já tinham a rescisão em curso antes de a unidade ser criada.

O peso das empresas de Musk

A SpaceX fechou em maio um contrato de US$ 2,29 bilhões com a Força Espacial para construir a espinha dorsal de uma rede de satélites de comunicação militar em órbita baixa, com protótipo operacional previsto para o fim de 2027. A Anduril, também de Luckey, trabalha com armas autônomas e sistemas de defesa, frentes que o escopo do estudo alcança.

O recorte escolhido, do subsolo à órbita lunar, cruza com negócios que já existem dentro do grupo de Musk, como a escavação de túneis, os planos lunares da Starship e o trabalho em autonomia e robótica da Tesla.

Críticos apontam conflito de interesse desde o anúncio. O grupo Tesla Takedown, que organizou protestos em concessionárias durante a passagem de Musk pela DOGE, afirmou em nota que o governo Trump volta a dar a um bilionário não eleito influência em decisões militares e no uso de armas autônomas em combate.

Na véspera do anúncio, Musk estava na Casa Branca, sentado à esquerda de Trump no almoço em que os principais executivos do setor de inteligência artificial firmaram um compromisso de segurança para seus modelos.

O Project Meridian foi uma de seis iniciativas apresentadas no mesmo discurso. Entre elas está o Autonomous Warfare Command, um novo comando de quatro estrelas voltado à guerra autônoma, com prazo de ativação até 1º de outubro de 2027, e um programa de prontidão que prevê geração de energia própria em cada grande instalação militar americana.

O memorando direciona o Estado-Maior e cada uma das forças a vincular seus programas de guerra futura ao Project Meridian, previsto para ser executado por uma organização parceira que o documento não identifica.

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