Quinto lote de 500 bitcoins da fortuna perdida do irlandês Clifton Collins chega à Coinbase Prime
Um endereço ligado a Clifton Collins movimentou 500 bitcoins na terça-feira, 20, e o valor foi para uma carteira marcada pela Arkham como ponto de entrada da Coinbase Prime, a área institucional da exchange. Com o bitcoin cotado a US$ 81,9 mil no fechamento do dia, o lote valia cerca de US$ 40,9 milhões.
É o quinto envio de 500 bitcoins saído do conjunto de carteiras atribuído ao irlandês neste ano, e o terceiro seguido para o mesmo endereço. O total movimentado em 2026 chega a 2.500 bitcoins, o equivalente a US$ 204,7 milhões pela cotação de terça.
A carteira que originou a transação estava parada desde 23 de janeiro de 2016. Naquele dia, um lote maior foi fatiado em porções iguais de 500 bitcoins, e esse endereço passou 10 anos e 9 meses sem nenhum gasto. A transferência de terça esvaziou o saldo.
O estoque dividido em 12 carteiras iguais
Collins juntou cerca de 6.000 bitcoins em 2011 e 2012 com dinheiro do tráfico de cannabis. Dividiu tudo em 12 carteiras de 500 bitcoins cada uma e guardou as chaves de acesso impressas em papel dentro do cabo de alumínio do estojo da vara de pesca, na casa alugada em Galway.
Condenado em 2017 a cinco anos de prisão, ele deixou os pertences para trás. O locatário limpou o imóvel e mandou tudo para um aterro, estojo incluído. As carteiras foram apreendidas em 2019, quando o conjunto valia cerca de €53 milhões, mas o Criminal Assets Bureau, órgão irlandês que administra bens de origem criminosa, passou sete anos sem conseguir abrir nenhuma delas. A primeira só foi acessada em março deste ano, com apoio do centro de cibercrime da Europol.
Três lotes seguidos para o mesmo depósito
O endereço que recebeu o lote de terça tem seis transações registradas, três de entrada e três de saída. Cada entrada foi de exatamente 500 bitcoins, em 2 de julho, 28 de agosto e 20 de outubro. Cada saída redistribuiu o valor no mesmo dia.
Na terça, a carteira de depósito repassou os 500 bitcoins em 42 saídas, 40 delas de exatamente 10 bitcoins. O fracionamento muda de um envio para outro, mas o formato se repete. Em julho, foram 27 das 29 saídas em blocos de 10 bitcoins. Em agosto, 45 de 77.
Cada um dos três lotes saiu de uma carteira diferente. Todas foram abastecidas em 23 de janeiro de 2016, todas com 500 bitcoins. O registro público mostra as três esvaziadas, uma de cada vez, entre julho e outubro.
O que o registro não mostra
A primeira saída do ano foi em março, para uma carteira de custódia da Coinbase, e coincidiu com o anúncio da Garda, a polícia irlandesa, e do Criminal Assets Bureau, que anunciaram ter apreendido o equivalente a €30 milhões em criptomoedas. Em maio, outros 500 bitcoins foram para uma conta da Wintermute na Binance. Julho, agosto e outubro terminaram todos na Coinbase Prime.
O bureau confirmou oficialmente três apreensões, em março, maio e julho, que somam 1.500 bitcoins. Os dois envios seguintes não tiveram anúncio. A Arkham trabalha com a hipótese de que os envios partem das autoridades, pelo tamanho recorrente dos lotes e pela semelhança com as apreensões já confirmadas. Nenhuma autoridade irlandesa confirmou o envio de terça, e o registro da rede não indica se os bitcoins foram vendidos nem quem assinou a transação.
Os 3.500 bitcoins que continuam parados
Sobram cerca de 3.500 bitcoins nas carteiras que a Arkham atribui ao irlandês, o equivalente a US$ 286,6 milhões com o bitcoin a US$ 81,9 mil. São sete lotes do mesmo tamanho, nenhum deles acessado até agora.
O que já saiu das carteiras também não tem destino definido. O bureau decide a venda ou a manutenção de cada bem apreendido conforme a ordem judicial do caso, e não informou se pretende liquidar os 500 bitcoins de terça.
Até a noite desta quarta-feira, o endereço da Coinbase Prime que recebeu os lotes somava as mesmas seis transações e saldo zerado. Os 3.500 bitcoins restantes não tinham movimentação registrada.
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