Rede Liquid segue sem pegout há 11 dias após Blockstream
Hackers exploraram uma vulnerabilidade no software Elements da Liquid Network em 6 de setembro e drenaram aproximadamente 4.000 BTC da federação da rede Bitcoin em um dos maiores exploits já registrados em sidechain.
A falha específica permitiu a criação de L-BTC sem lastro. Duas transações com range proofs diferentes produziam a mesma entrada no cache de verificação do Elements, o software que implementa a sidechain Liquid. O explorador de blocos registrou as movimentações anômalas logo nas primeiras horas após o exploit.
Os invasores devolveram 3.400 BTC à federação, o equivalente a cerca de 85% do montante total drenado durante o ataque à rede. O retorno parcial dos fundos foi confirmado nas transações on-chain pelos monitores da comunidade Liquid.
Como funcionava o exploit, a falha no software Elements
Blockstream recusou o pagamento de bounty aos invasores. A empresa classificou a ação como roubo, não como responsável disclosure. Em post oficial de 11 de setembro, afirmou que tomar ativos sem autorização e reter o retorno constitui crime. A posição gerou debate na comunidade sobre os limites da disclosure em sidechain.
Blockstream classifica ação como roubo
Adam Back, CEO da Blockstream, garantiu paridade com o bitcoin. A declaração foi feita em resposta direta às pressões da comunidade por uma posição clara sobre o futuro dos detentores de L-BTC. Holders de L-BTC não podem usar o mecanismo de peg-out para converter seus tokens em bitcoin. A rede registra aproximadamente 4.205 L-BTC em circulação e a federação conta com 3.601 BTC em reserva após o retorno parcial dos fundos pelos hackers.
A produção de blocos foi retomada em 9 de setembro, quatro dias após o exploit que congelou as operações da rede Liquid completamente. As transações on-chain voltaram a ser processadas durante o dia. Mas as operações de peg-in e peg-out permanecem suspensas.
A equipe técnica monitora a estabilidade da rede e reconstrói a reserva integral da federação. A liberação dos detentores de L-BTC depende da conclusão desse processo. A correção da vulnerabilidade foi publicada na Elements v23.3.4. A atualização introduz length prefixes nas cache keys usadas para verificação de range proofs.
Retomada parcial das operações
A mudança corrige a colisão que permitia criar L-BTC sem lastro. O patch introduz length prefixes nas cache keys de verificação, eliminando a ambiguidade entre transações.
A revisão técnica foi conduzida pelo Bitcoin Red Team em coordenação com a equipe de desenvolvimento.
A correção adiciona um switch para desativar completamente o cache em operadores de nó que preferem eliminar a superfície de ataque por completo.
A correção publicada na Elements
Os hackers ainda retêm cerca de 598,5 BTC, avaliados entre 46 e 48 milhões de dólares. A comunicação com os invasores ocorreu via OP_RETURN no blockchain do Bitcoin. Adam Back disse que os hackers só podem monetizar a situação se mantiverem os fundos bloqueados sem uso imediato no mercado de criptomoedas.
A retomada do sistema depende do equilíbrio total da reserva da federação antes de qualquer liberação aos detentores de L-BTC. Os detentores aguardam há 11 dias sem acesso ao resgate dos seus ativos na sidechain.
O plano de recuperação da rede
O plano de recuperação envolve três etapas sequenciais. Primeiro, produção de blocos com operações suspensas. Segundo, replay de transações verificadas como válidas. Terceiro, restauração completa do estado da rede. Sem cronograma definido. Os detentores aguardam há 11 dias sem acesso ao resgate dos seus ativos na sidechain.
O compromisso de paridade foi assumido de forma abstrata pelo CEO da Blockstream. A materialização depende direta da recuperação dos 598,5 BTC retidos pelos invasores fora do controle da federação.
O explorador blockstream.info registra 4.061.887 blocos na rede desde seu lançamento em 2017.
A proteção técnica via patch já está nos nós atualizados, mas a garantia financeira segue sem cronograma. A Blockstream prometeu publicamente cobrir a paridade de um para um entre L-BTC e bitcoin.
A empresa não detalhou o financiamento do gap restante de 598,5 BTC. A materialização da promessa dependerá integralmente da recuperação desses fundos retidos pelos invasores. A reativação segue sem data definida. A federação monitora a estabilidade pós-exploit antes de liberar operações aos detentores de L-BTC. A atualização eliminou a superfície de ataque que permitiu a colisão de range proofs.
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