Macro

Irã mantém plano para Ormuz e relato aponta anúncio nesta semana

Nesta segunda-feira, o petróleo abriu em alta, recuou com a notícia de um possível acordo e recuperou parte da queda depois dos novos alertas de segurança dos Estados Unidos. O anúncio de um entendimento entre Washington e Teerã pode sair nesta semana, segundo pessoas que acompanham a mediação, e nenhum dos dois governos confirmou o teor do relato até o fim da tarde.

As fontes, que falaram sob condição de anonimato, descreveram uma negociação para encurtar diferenças e obter concessões dos dois lados. O objetivo declarado é evitar que a guerra recomece. Catar e Paquistão aparecem como os países que levam mensagens de uma capital à outra. As mesmas fontes descartaram uma escalada imediata, com a ressalva de que o conflito pode voltar depois das eleições americanas de 3 de novembro.

A guerra começou em 28 de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Teerã respondeu com mísseis e drones e passou a impedir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, por onde passava perto de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito vendidos no mundo. Washington impôs um bloqueio naval aos portos iranianos. Um cessar-fogo em abril e um memorando assinado em junho chegaram a suspender a ofensiva, mas os dois acordos perderam força em poucas semanas.

O que está sobre a mesa é um plano de sete dias apresentado pelo Irã em setembro. Em Bagdá, no domingo, o chanceler Abbas Araghchi confirmou que a proposta segue de pé e que os comentários enviados pelos americanos estão em análise. Pelas condições iranianas, os Estados Unidos teriam de suspender o bloqueio aos portos, retirar as sanções que travam a venda de petróleo e encerrar os combates em todas as frentes da região. O estreito reabriria no sexto dia, e as negociações recomeçariam no sétimo.

O ponto que trava o acordo

A ordem das concessões é o nó. Teerã quer começar pela água e pelo petróleo, deixando o programa nuclear para depois. Washington exige o contrário. Para o vice-presidente JD Vance, não há acordo sem um corte profundo na capacidade iraniana de enriquecer urânio, exigência que ele repetiu neste mês. É o mesmo impasse que travou as conversas antes da pausa eleitoral anunciada por Donald Trump, e o estoque de urânio enriquecido a 60% segue fora do alcance dos inspetores.

Na segunda-feira, Araghchi respondeu às ameaças com um recado nas redes sociais. Escreveu que o Irã saiu mais forte da última rodada e convidou os adversários a tentar de novo, com um aviso de que há contas pendentes dos dois lados. Na véspera, Trump afirmou que o país foi destruído militar e financeiramente e que, se não mudar de rumo, os Estados Unidos vão terminar o serviço. No sábado, o secretário de Guerra, Pete Hegseth, falou em destruição caso o Irã não abandone suas ambições nucleares na negociação.

A diplomacia também se movimentou. O chanceler russo, Sergei Lavrov, desembarcou em Teerã nesta segunda-feira, na primeira visita ao país desde o início da guerra, e disse que Moscou está disposta a ajudar a fechar um acordo. No mesmo dia, os Estados Unidos renovaram alertas de segurança para cidadãos na região, com aviso de cancelamentos de voos e fechamento de espaço aéreo.

O que o petróleo desconta

O Brent, referência internacional, abriu a sessão em US$ 110,25, caiu a US$ 106,82 durante o dia e fechou em US$ 109,21, queda de 0,6% sobre a sexta-feira. Na sexta, havia subido 3,7% e tocado US$ 110 pela primeira vez desde maio, depois de uma semana com doze ataques a embarcações registrados por autoridades marítimas.

A diferença entre um anúncio e um acordo fechado explica o vaivém. Um gesto de descompressão retira do preço apenas uma parte do prêmio de guerra. A volta do petróleo iraniano ao mercado, com o fim das sanções e do bloqueio, mexe com a oferta de forma mais profunda, e os traders passaram a calcular esse cenário ao longo do dia.

O que ainda não voltou

No mar, a situação segue longe da normalidade. O volume de cru que atravessou Ormuz na semana até quarta-feira ficou em 9,4 milhões de barris diários, o equivalente a 70% do escoamento anterior à guerra, pelos cálculos da Kpler. O comando da Guarda Revolucionária afirmou no domingo que um petroleiro pegou fogo depois de atingir uma mina na rota sul do estreito, versão que nenhuma autoridade marítima confirmou.

Os países do Golfo, reunidos no Bahrein no domingo, pediram o fim dos ataques a navios e a volta da navegação. O bloco condicionou qualquer entendimento a limites ao programa nuclear, aos mísseis e ao apoio a grupos aliados, com participação dos Estados da região nas conversas que afetam sua segurança.

Para o investidor de cripto, o canal é indireto e passa pelo juro. Petróleo acima de US$ 100 pressiona a inflação americana, que subiu 3,7% em doze meses até setembro, e reforça a aposta de que o Federal Reserve volte a elevar os juros. O bitcoin abriu a semana perto de US$ 82 mil, depois de tocar US$ 83 mil e devolver o ganho, ainda colado ao humor do mercado de risco.

O que falta é a confirmação. Até agora há uma proposta iraniana que não foi aceita, uma resposta americana em análise e um relato de fonte única sobre um anúncio nesta semana. Se o anúncio sair, a primeira prova será o texto divulgado pelos dois governos, com o escopo das sanções, o calendário do estreito e o que fica para a fase seguinte.

⚠️ Aviso importante

As informações aqui descritas refletem pesquisas realizadas pelo LaboNews e não devem ser consideradas recomendação de investimento ou endosso de segurança sobre ferramentas ou links externos. Recomendamos que, ao investir ou utilizar ferramentas de terceiros, você faça sua própria pesquisa sobre a segurança e os riscos envolvidos.

Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *