Tensão EUA-Irã empurra Brent para US$ 97 e alerta mercados europeus
O petróleo Brent subiu para US$ 97,51 por barril nesta segunda-feira, alta de 1,28% no dia e quase 12% no mês. Desde o início da crise no Estreito de Hormuz, o avanço chega a quase 40%. O movimento já pressiona os mercados europeus e reacende temores sobre inflação no continente.
Os confrontos ganharam corpo no sábado, quando forças americanas atacaram três petroleiros iranianos, em retaliação a mísseis balísticos que haviam atingido dois navios de guerra da Marinha dos EUA. Dois petroleiros foram permanentemente desabilitados e o terceiro, vazio, foi destruído.
Em resposta, Teerã alegou ter atacado três navios-tanque e três embarcações americanas. A contra-alegação não foi confirmada por fontes independentes.
Teerã sinalizou que vai criar uma área de exclusão militar na região do Estreito de Hormuz nos próximos dias, a partir da linha de bloqueio americana em direção ao Golfo Pérsico. Por ali passa cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural transportado por via marítima no mundo.
Qualquer interrupção relevante no fluxo tende a manter os preços elevados e a alimentar pressões inflacionárias globais, em um momento em que a Europa já luta contra a inflação acelerando no bloco.
O risco no Golfo Pérsico
Os mercados europeus abriram em terreno negativo, embora a sessão tenha sido mista ao longo do dia. O STOXX Europe 600 operou praticamente estável, com leve alta de 0,02%, mas permanece próximo das mínimas das últimas quatro semanas. Na semana anterior, o índice acumulou queda de 0,81%.
A Alemanha liderou as perdas. O DAX recuou 0,35% para 25.955 pontos. Já o CAC 40, em Paris, escapou das perdas e fechou em alta de 0,16%, aos 8.292 pontos. O FTSE 100 londrino subiu 0,18%.
A energia foi um dos poucos setores positivos, com avanço de 1,2%, acompanhando a alta do crude.
Aperto monetário no horizonte
O foco imediato dos investidores europeus está na reunião do BCE na quinta-feira. O mercado precifica com alta probabilidade um aumento de 25 pontos-base na taxa de depósito, para 2,50%.
A decisão reflete a aceleração da inflação da zona do euro para 3,3% em agosto, com o componente de energia subindo 14,3% no ano. Analistas do Deutsche Bank projetam que o BCE complementará o ajuste de setembro com um aumento adicional de um quarto de ponto em dezembro, e as precificações de mercado já embutem ao menos uma nova elevação ao longo de 2027.
A taxa alemã de referência para títulos de dez anos segue perto das máximas recentes, o que pressiona setores sensíveis a juros, como imóveis e construção.
Na frente corporativa, a Novartis derrapou mais de 3% após anunciar que o pelacarsen, droga experimental para redução de lipoproteína(a), falhou em reduzir o risco de morte cardiovascular e de emergências como infartos e acidentes vasculares cerebrais em um estudo de Fase 3 que durou mais de seis anos e incluiu mais de 8.000 pacientes.
O revés jogou luz sobre toda uma classe emergente de medicamentos cardíacos que estão em desenvolvimento na indústria. Amgen e Eli Lilly também competem nesse segmento.
Na outra ponta, a italiana Lottomática avançou 6,8% ao revelar os termos de sua fusão com a espanhola Cirsa, em uma operação exclusivamente em ações que pretende ampliar as operações digitais da companhia. A Cirsa valorizou 7%.
O cenário político doméstico alemão acrescenta incertezas. A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema-direita, conquistou 44% dos votos nas eleições estaduais de Saxônia-Anhalt no domingo, seu melhor resultado histórico na região. A vitória representa um revés para o chanceler Friedrich Merz.
Um contraponto positivo veio do índice Sentix de confiança de investidores, que saltou de 0,9 para 5,1 pontos, atingindo o nível mais alto em mais de quatro anos. O dado sugere que, apesar das tensões geopolíticas e do aperto monetário à vista, o ânimo na zona do euro começa o mês com força.
Nos EUA, a semana traz o Índice de Preços ao Consumidor e, com ele, a chance de confirmar ou dissipar a expectativa de que o Federal Reserve eleve os juros na reunião de meados de setembro. Um dado quente selaria a alta e colocaria mais pressão sobre as bolsas mundiais.
A energia cara, o aperto monetário que se aproxima e a escalada militar no Golfo mantêm o risco alto para a Europa nas próximas semanas, sem sinal imediato de alívio.
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