Três métricas, três líderes diferentes nos pagamentos em cripto
A NOWPayments publicou nesta segunda-feira um levantamento de seis meses sobre os pagamentos empresariais que processa. O material compara BNB Smart Chain e TRON, as duas líderes do recorte, além de Bitcoin, Solana e Ethereum, sob três critérios que o mercado trata como um só. Tempo de pagamento, número de transferências e valor movimentado apontam para líderes diferentes, e nenhuma das cinco lidera as três.
Juntas, as cinco redes responderam por 94,04% do valor financeiro e por 77,84% das transações registradas no período analisado.
Na contagem de transferências, a liderança é da BNB Smart Chain, com 48,23% do total. A TRON ficou em segundo lugar, com 15,73%, menos de um terço da participação da rival. O levantamento associa o resultado a um fluxo de pagamentos mais frequentes e de ticket menor, perfil que o número de transações captura bem e o volume financeiro deixa passar.
A vantagem da BNB Smart Chain não se repete quando o critério deixa de ser a quantidade e passa a ser o dinheiro que circulou.
Frequência e valor apontam para lados opostos
A TRON respondeu por 43,69% dos recursos que passaram pela plataforma, acima do dobro dos 21,75% da BNB Smart Chain. Com menos transferências e mais dinheiro, o pagamento médio na rede ficou cerca de 6,2 vezes acima do registrado na concorrente, segundo cálculo da própria empresa a partir das participações divulgadas.

São dois perfis de pagamento. Um opera muitas vezes com valores pequenos, o outro concentra menos transferências e valores mais altos.
Na terceira posição do volume financeiro, Ethereum respondeu por 18,84% do valor e 7,42% das transferências. Bitcoin somou 6,68% do valor e 2,60% das transações. Solana ficou com 3,08% de um lado e 3,86% do outro. As participações de Ethereum e Bitcoin na contagem de transferências ajudam a explicar por que a leitura por volume conta uma história diferente da leitura por frequência.
O material não traz a definição exata de cada métrica nem o número de operações analisadas, apenas as participações percentuais.
O custo entra nessa conta
Segundo a empresa, os repasses feitos para carteiras da ChangeNOW Pro não têm custo de serviço nem taxa de rede dentro do próprio ecossistema. Basta o e-mail para identificar quem recebe, e o beneficiário confirma a transferência antes de os recursos saírem, o que dispensa a coleta prévia de endereços e reduz o risco de erro no envio.
Andy Tries Coding, criador de conteúdo, divulgou um teste aberto dessa rota. O recebimento teria saído sem taxa em intervalo inferior a cinco segundos, segundo a empresa.
Quem liquida mais rápido
No tempo médio de pagamento, Solana ficou na frente com 1 minuto e 45 segundos. Bitcoin veio na sequência, com 2 minutos e 53 segundos, seguido pela TRON e pela BNB Smart Chain, muito próximas entre si, 3 minutos e 8 segundos contra 3 minutos e 13 segundos. O tempo mais lento foi o do Ethereum, 5 minutos e 56 segundos, mais de três vezes o registrado pela líder.
Ainda assim, nenhuma das cinco passou de seis minutos de tempo médio, o que mantém todas no mesmo patamar de espera.
O segundo lugar da lista chama mais atenção que o primeiro. Bitcoin, rede lembrada por confirmações lentas, ficou com a segunda melhor média de pagamento do recorte. Solana, na ponta, respondeu por 3,86% das transferências do levantamento, enquanto a BNB Smart Chain, quarta colocada na velocidade, assinou quase metade dos pagamentos analisados. Os rankings de velocidade e de uso quase não se sobrepõem.
Quando o valor movimentado entra na mesma conta, as três métricas deixam de apontar para o mesmo lado, e a comparação entre as redes ganha outra leitura.
Kate Lifshits, que responde pela área comercial da NOWPayments, diz que a escolha da rede começa pelo que cada fluxo precisa otimizar. Para ela, essa avaliação interna vale mais do que a posição em qualquer ranking. Velocidade, valor, frequência e custo pesam de forma diferente em cada caso, e a empresa avisa que o levantamento não indica uma rede melhor para todos os usos.
Os percentuais vêm de seis meses de uma operação específica, a da própria plataforma que publicou o levantamento, e cobrem apenas os pagamentos que passaram por ela.
Eles não medem a atividade total de cada rede no mercado. Essa diferença de escopo explica por que os percentuais não devem ser transportados para comparações fora do fluxo da empresa, já que uma fatia alta dentro de uma carteira de clientes não se converte automaticamente em liderança no uso geral.
As taxas cobradas por cada rede ficam de fora do levantamento, que mede tempo, frequência e valor, sem detalhar o custo de cada transferência.
Dentro do grupo, as distâncias são menores do que a ordem das listas faz parecer. A diferença entre a primeira e a última colocada é de 4 minutos e 11 segundos, e a média da TRON fica apenas cinco segundos à frente da BNB Smart Chain. O que separa as líderes é o tipo de operação que cada uma atende, e não uma vantagem que sirva a qualquer fluxo.
A BNB Smart Chain ficou com a frequência, a TRON com o valor e Solana com a velocidade, cada uma liderando por um motivo diferente dentro do fluxo analisado.
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