US$ 312 bilhões em stablecoins entram na mesma tela dos Treasuries
A Bloomberg colocou os dados de stablecoins dentro do Terminal, a plataforma em que bancos, gestoras e mesas de operações acompanham o mercado em tempo real. O painel abre pela função RWAS e se junta, na mesma tela, ao que o assinante já consulta para acompanhar juros, câmbio e mercado monetário. Ele traz a oferta em circulação, as emissões e queimas, o volume transferido e a velocidade com que cada dólar digital troca de mãos, dados que até agora viviam espalhados em sites separados. O anúncio saiu na quarta-feira, 30 de setembro.
Quem já usa o Terminal não precisa sair dele para acompanhar as stablecoins.
O que o painel mostra
A visão padrão põe as principais stablecoins uma ao lado da outra e compara cinco coisas. Oferta em circulação, emissões, queimas, volume transferido e velocidade. Emissões e queimas mostram quando um token novo entra em circulação e quando outro é retirado dela, o que dá a leitura de criação e resgate. A velocidade mede quantas vezes o mesmo dólar digital muda de mãos dentro de um período.
A leitura do momento se renova a cada hora, e o histórico é atualizado uma vez por dia. Dá para abrir uma stablecoin específica e ver como ela se comporta em cada rede, mudar para a visão por rede ou separar os ativos conforme o lastro.
O corte de entrada é alto. Só entram na lista as stablecoins que superam US$ 100 milhões de valor em circulação, e elas cobrem 98% do setor. O mercado inteiro vale US$ 312,5 bilhões pelos dados da DeFiLlama, e o USDT, da Tether, responde sozinho por US$ 183,8 bilhões, ou 59% do total.
Acompanhar esse movimento exigia, até esta semana, juntar dados de exploradores de blocos e de painéis analíticos distintos, cada um com o seu formato.
De onde vêm os números
A Allium, empresa de análise de redes, alimenta a tela. Ela diz cobrir mais de 150 redes e ter Visa, Coinbase e o Federal Reserve americano entre as organizações que usam seus dados. Já captou cerca de US$ 61,5 milhões, sendo US$ 40 milhões em uma rodada fechada em junho. A Bloomberg usava a base da companhia no acompanhamento de stablecoins desde 2024, e o RWAS transforma essa relação em um produto com nome próprio dentro do Terminal.
O que mudou foi o endereço do dado, que saiu de páginas públicas e passou a dividir espaço com as cotações que a mesa consulta antes de decidir.
Matthew Parkinson, que cuida de produto de ativos digitais na Bloomberg, afirma que as stablecoins passaram a ocupar um lugar central no mercado institucional, com empresas testando novas formas de mover dinheiro dentro de uma estrutura financeira tokenizada. Ethan Chan, cofundador e presidente-executivo da Allium, diz que bancos e gestoras querem, sobre os dados de rede, o mesmo grau de confiabilidade que já cobram dos mercados tradicionais.
A Bloomberg tem histórico longo nesse terreno. O Terminal exibe preço de bitcoin desde 2014 e reúne hoje cotações à vista, índices e identificadores para 50 ativos digitais de interesse institucional.
Há ainda uma ferramenta que ajuda times de conformidade a mapear exposição direta e indireta, e uma parceria recente com a Kaiko levou a base da Bloomberg Data License à rede Canton.
O porte do mercado explica parte do interesse. As regras que estão sendo escritas para as stablecoins explicam o resto.
Elas avançam em vários países, e áreas de conformidade passam a precisar de dado confiável sobre emissão e oferta para atender exigências que já existem ou estão a caminho. Um painel único, dentro do sistema que a equipe já usa, é mais fácil de defender internamente do que um conjunto de consultas a exploradores de redes diferentes.
O que o comunicado não responde
O anúncio descreve o que o painel mostra e de quanto em quanto tempo muda, sem abrir como a velocidade é calculada.
Também não diz como a ferramenta trata diferenças de registro entre as redes, um ponto sensível para quem compara dados nascidos em sistemas distintos. A velocidade depende de como cada transferência é contada, e duas formas de contar podem chegar a números bem diferentes. Para quem roda modelos de risco com esse dado, a lacuna pesa na hora de calibrar a leitura.
A Allium afirma que confere os próprios números contra os registros originais das redes antes de entregá-los ao cliente.
O painel está aberto a qualquer assinante do Terminal, sem contratação à parte, e abre com o comando RWAS. Das 429 stablecoins que a DeFiLlama lista, 48 entram na tela da Bloomberg. As outras 381 dividem cerca de 1% do mercado, um volume que não muda a leitura de quem acompanha a liquidez do dólar digital.
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