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Saylor compara código do Bitcoin a uma constituição em ataque a mudanças

Saylor compara código do Bitcoin a uma constituição em ataque a mudanças

Michael Saylor subiu o nível do debate sobre o BIP-110. Em vez de atacar a proposta em si, o chairman executivo da Strategy agora questiona a legitimidade de qualquer alteração no código do Bitcoin.

Saylor publicou um fio de nove posts no X nesta terça-feira, enquadrando toda a discussão sobre mudanças no protocolo como uma crise constitucional. Para ele, as regras de consenso do Bitcoin não são apenas software. São o equivalente funcional de uma constituição nacional, e mexer nelas exige mais do que justificativa técnica.

O alvo imediato continua sendo o BIP-110, uma softfork que por cerca de um ano limitaria dados não financeiros na blockchain do Bitcoin, como as inscrições de Ordinals. Mas Saylor foi além e incluiu no mesmo balaio os covenants, que permitiriam programar como o Bitcoin pode ser gasto, e as propostas de aumento de bloco.

A tese central do fio é que mexer nas regras de consenso para atender preferências ideológicas de qualquer facção equivale a confiscar direitos econômicos dos usuários. Na visão de Saylor, quem comprou Bitcoin sob um conjunto de regras tem o direito de esperar que essas regras não mudem.

Na semana passada, ele já havia publicado um ensaio de 110 pontos intitulado “110 Reasons BIP 110 Is a Bad Idea”. Desde então, o indicador de suporte ao BIP-110 entre os mineradores recuou para 2,64%, muito abaixo dos 55% necessários para ativação da proposta.

O principal defensor da proposta é Dathon Ohm, autor pseudônimo, com Luke Dashjr, desenvolvedor de longa data do Bitcoin, como participante chave na redação do rascunho original. O apoio vem de uma base minoritária em torno do Bitcoin Knots e de operadores de nós que enxergam o bloqueio como um recurso escasso a ser preservado.

O argumento do campo favorável ao BIP-110 é que os mineradores coletam uma taxa única para incluir dados arbitrários, enquanto os operadores de nós arcam com os custos permanentes de armazenamento, largura de banda e validação. Para eles, não se trata de censura, mas de proteger um recurso público escasso que todos pagam para manter.

A janela de sinalização obrigatória do BIP-110 abre por volta de 9 de agosto, no bloco 961.632. A partir desse ponto, os nós que rodam o software da proposta começarão a rejeitar blocos não conformes.

Com 2,64% de sinalização e a data de ativação se aproximando, a proposta está longe dos 55% exigidos para adoção. O cenário atual sugere que o BIP-110 não tem tração para passar, confirmando a leitura de Saylor de que a batalha imediata está ganha.

O que o BIP-110 revela sobre o futuro do Bitcoin

O Bitcoin é negociado a US$ 63.836 no momento, com queda de 1,7% nas últimas 24 horas, em linha com o movimento geral do mercado.

A mudança de estratégia de Saylor é significativa. Ele trocou o caso técnico contra uma proposta específica por uma moldura filosófica que torna qualquer mudança de consenso mais custosa em termos de legitimidade.

O movimento transcende o BIP-110. Se a metáfora constitucional pegar, qualquer proposta de alteração no código do Bitcoin terá que passar não apenas pelo crivo técnico dos desenvolvedores, mas pelo teste político de legitimidade entre os detentores.

Para a comunidade, o recado é duplo. O debate sobre o BIP-110 pode estar resolvido na prática, mas a discussão sobre até onde o código do Bitcoin pode ser alterado está apenas começando.

Saylor aposta que a metáfora constitucional vai ressoar entre os detentores de Bitcoin que veem a previsibilidade das regras como o ativo mais valioso da rede. Se ele estiver certo, a era das grandes mudanças no protocolo pode estar chegando ao fim.

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