Bitcoin

Strategy esgota venda de BTC em recompra para segurar o STRC

A Strategy vendeu mais uma fatia de bitcoin, mas desta vez todo o dinheiro teve um destino único. A companhia desfez 1.690 BTC por US$ 108,6 milhões entre 3 e 9 de agosto e usou cada dólar na recompra da ação preferencial STRC. O movimento não foi para engordar o caixa, foi para tentar segurar o papel que não para de deslizar em direção ao valor nominal.

A venda aconteceu por US$ 64.262 em média, um número que fica abaixo do custo da posição e por isso não passou despercebido, com o mercado lendo cada operação como um sinal sobre a saúde do balanço.

A conta do conserto

O STRC é a preferencial de taxa variável criada para bancar a compra de bitcoin, com dividendo reajustável que hoje rende 12% ao ano. A matemática ainda não segurou o papel, que chegou a cair a US$ 71,25 no último ano e fechou a sexta-feira em US$ 95,01, abaixo do par de US$ 100.

A recompra da semana tirou do mercado 1,15 milhão de ações do STRC. O papel subiu cerca de um terço desde a mínima, mas ainda não voltou ao par de US$ 100.

O que a venda revela

A operação repete um padrão que virou rotina no balanço. Na semana anterior, a Strategy já tinha vendido 1.638 BTC, marcando duas semanas seguidas como vendedora líquida, uma postura incomum para uma empresa que construiu sua fama acumulando o ativo e que agora inverte o jogo para honrar o papel preferencial.

O estoque restante segue grande, com 840.447 BTC, ainda a maior tesouraria corporativa do ativo.

O problema é o preço. A posição inteira custou US$ 63,36 bilhões, com média de US$ 75.385 por moeda, e vender perto do preço atual trava prejuízo em cada moeda que sai, um detalhe que pesa na leitura de cada operação e na tese de acumulação que sustentou a empresa por anos. O Bitcoin negociava perto de US$ 65.019 na segunda-feira, ainda cerca de 13% abaixo da média paga.

Além do bitcoin, a companhia emitiu 6,59 milhões de ações MSTR pelo programa de venda no mercado, levantando US$ 653,1 milhões, dos quais US$ 650 milhões foram para a reserva em dólar, reforçando o caixa no mesmo período em que o ativo saía do balanço.

Um crédito disfarçado de venda

Michael Saylor tratou a semana como um exercício de crédito, na contramão de quem esperava um recuo do bitcoin. A reserva em dólar subiu para US$ 4,65 bilhões, e a empresa argumenta que o volume cobre anos de dividendos das preferenciais, uma leitura que tenta rebaixar o peso das vendas semanais e manter o discurso de acumulação no longo prazo.

A recompra do STRC consumiu boa parte da autorização que restava, deixando US$ 785,2 milhões disponíveis, enquanto cerca de US$ 22 bilhões em capacidade de emissão de MSTR seguem intocados.

Enquanto isso, o mercado segue dividido sobre o desfecho. O STRC se recuperou das mínimas, mas ainda navega abaixo do valor que foi desenhado para sustentar, e os próximos registros na SEC mostrarão se as vendas semanais continuam ou se a acumulação retoma.

No fim, o acionista comum carrega o custo de cada emissão, vendo o bitcoin se transformar em um ativo administrado para servir à própria estrutura de capital da companhia.

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