China acumula ouro por 21 meses e metal volta a US$ 4.400
O ouro voltou a US$ 4.400 por onça nesta terça-feira, o nível mais alto em cerca de dois meses, impulsionado por um relatório de empregos fraco nos Estados Unidos e pela compra contínua de reservas pelo banco central da China. O metal chegou a tocar cerca de US$ 4.434 antes de os vendedores entrarem.
No meio da tarde, o ouro à vista operava perto de US$ 4.382, de acordo com dados de mercado. A alta recolocou o ativo em posição de teste de um novo patamar.
O gatilho no emprego americano
O gatilho veio do mercado de trabalho dos Estados Unidos. O relatório de julho mostrou queda de 23 mil vagas quando economistas esperavam a criação de cerca de 80 mil postos, e as revisões para baixo tornaram os meses anteriores ainda mais fracos, jogando dúvida sobre a força da economia americana.
Esse resultado reconfigurou as apostas para o Federal Reserve. Operadores reduziram as expectativas de um novo aumento de juros, derrubando os rendimentos dos títulos do Tesouro e dando novo fôlego ao metal, que não paga juros para ser mantido. Quando os rendimentos recuam, a desvantagem de segurar ouro diminui e o capital tem menos razão para permanecer parado em títulos e caixa.
A China segue acumulando ouro
A China entrou com outro impulso. O Banco Popular da China ampliou sua campanha de compra de ouro pelo 21º mês consecutivo em julho, adicionando cerca de 20 toneladas, o equivalente a aproximadamente 640 mil onças.
Foi a maior aquisição mensal desde outubro de 2023. As reservas oficiais chinesas subiram para cerca de 76,08 milhões de onças ao fim de julho, e os fundos negociados em bolsa de ouro do país também registraram novas entradas.
Esse fluxo institucional constante colocou um piso sob os preços, mesmo quando um dólar mais forte deveria pressionar o ouro com mais força.
O risco geopolítico manteve os compradores próximos. As tensões entre Estados Unidos e Irã em torno do Estreito de Ormuz podem interromper o fornecimento de petróleo e reacender o temor de inflação.
Isso deixa o ouro em um jogo de duas pontas conhecido. Petróleo caro pode reavivar a inflação e endurecer a política monetária, enquanto a instabilidade empurra o capital defensivo para o metal ao mesmo tempo.
O defensor do ouro Peter Schiff escreveu na rede social X que o metal e o petróleo estão se libertando da correlação negativa recente e devem subir juntos, com a inflação empurrando o CPI e os rendimentos para cima enquanto a economia americana enfraquece.
A demanda chinesa mudou de perfil. Dados da associação do setor mostram que a procura por barras e moedas de investimento cresceu 28,4% no primeiro semestre, enquanto a de joias caiu 33,9%, um sinal de que o ouro virou reserva de valor em vez de adorno.
A prata acompanhou o movimento e tocou a máxima de sete semanas, acima de US$ 66 por onça, com platina e paládio também subindo, ainda que abaixo das recentes máximas de dois meses.
O próximo teste é a inflação americana. Um índice de preços ao consumidor mais fraco pode enfraquecer o caso de aperto do Fed e dar ao ouro outra chance de transformar a zona de rompimento em suporte durável.
Traders observam o nível de US$ 4.500 para saber se a recuperação tem outra perna ou vira mais um rompimento fracassado.
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