Swift expande pagamentos internacionais com dois bancos dos EUA
A transferência internacional de dinheiro para os Estados Unidos ganhou um novo padrão de transparência. Em 5 de agosto, o Bank of America e o J.P. Morgan passaram a oferecer o framework de pagamentos da Swift, com custo conhecido antes do envio, valor integral na chegada e entrega que pode levar minutos. É a estreia de dois gigantes americanos em um modelo que a Swift quer transformar em regra no mercado global.
O ganho aparece na ponta da transferência.
O que muda nas transferências
Antes de confirmar o envio, o remetente vê a taxa e a cotação aplicada, sem surpresas depois. No destino, o valor que sai da origem é o que chega, sem deduções inesperadas. Nos mercados onde os sistemas locais permitem, o dinheiro pode cair em minutos, o que muda a relação de quem depende de remessas de parentes, de empresas ou de parceiros internacionais.
A lista inicial já cobre o Brasil.
Os corredores iniciais incluem Austrália, Brasil, China, Índia, África do Sul, Coreia do Sul, Espanha e Turquia, com Bank of America e J.P. Morgan entre os primeiros bancos americanos a entrar. Ao todo, mais de 60 bancos de 25 países apoiam a iniciativa, que entrou no ar neste ano, e a Swift conecta mais de 11.500 instituições financeiras em mais de 200 países.
A demanda por esse serviço é concreta.
Os Estados Unidos recebem cerca de 9 bilhões de dólares por ano em remessas vindas do exterior, segundo o Banco Mundial, dinheiro que sustenta famílias, estudantes e lares conectados internacionalmente. A pressão por transferências mais rápidas e transparentes cresce, e é nesse terreno que a disputa pelo futuro dos pagamentos acontece.
O movimento não é dos bancos tradicionais sozinho.
A disputa pelos pagamentos globais
Redes de blockchain e emissoras de stablecoins desenvolvem caminhos próprios para o mesmo problema. A Ripple constrói infraestrutura para pagamentos internacionais apoiada em ativos digitais, enquanto a Circle aposta na infraestrutura de stablecoins atreladas ao dólar, com a USDC em parcerias que expandem pagamentos transfronteiriços para empresas. Cada uma ataca a mesma dor, a lentidão e a falta de clareza das transferências globais, com abordagens diferentes e modelos de negócio que competem diretamente com o sistema bancário.
A própria Swift já prepara a resposta.
A organização avançou com uma iniciativa de ledger blockchain para apoiar pagamentos transfronteiriços 24 horas por dia e dar às instituições financeiras um novo modelo de infraestrutura. J.P. Morgan, por sua vez, participou do Project Agorá, do Banco de Compensações Internacionais (BIS), que explora como depósitos tokenizados podem tornar o processamento de pagamentos mais eficiente.
Para o consumidor americano, o efeito prático chega primeiro.
Quem envia ou recebe dinheiro do exterior passa a ter mais previsibilidade, com custos declarados antes do envio e entrega em minutos onde o sistema permite. É uma resposta direta a uma queixa antiga das transferências internacionais, que costumavam esconder taxas e demorar dias para liquidar.
A corrida está longe de terminar.
O framework vai se expandir à medida que mais bancos aderirem e novos corredores de pagamento entrarem na rede. Stablecoins e redes de blockchain seguem pressionando o setor, e a Swift aposta em velocidade e transparência para manter os bancos no centro desse mercado em transformação.
O padrão que acaba de entrar nos Estados Unidos mostra que os bancos não vão entregar os pagamentos às criptomoedas sem reação. A resposta é rapidez e clareza, e o próximo passo depende de quantos bancos aderirem à rede.
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