IA e Tecnologia

Nvidia põe teto de 25% no risco de financiamento e crédito respira

A Nvidia voltou a subir nesta quarta-feira, depois que Jensen Huang tratou pessoalmente do assunto que mais incomodou o mercado nas últimas semanas, a participação da fabricante de chips em financiamentos de infraestrutura de IA. A ação, que havia caído cerca de 3% na semana, ensaiou a recuperação no pré-mercado a US$ 219,32 e seguiu firme durante a sessão, negociada perto de US$ 224,63.

O movimento veio depois de o CEO usar o X para explicar o risco. Os temores começaram quando os credit default swaps (CDS) da Nvidia, seguros contra calote, subiram às máximas de 2025, com o mercado especulando sobre garantias aos compradores.

Print do post de Jensen Huang no X sobre o financiamento de IA da Nvidia
Fonte: X, post de Jensen Huang

No centro da preocupação estava o relato de que a companhia discutia um financiamento de US$ 250 bilhões com a OpenAI, dona do ChatGPT, para bancar data centers.

Huang respondeu de forma direta, explicando que a fabricante limita o suporte de valor residual a 25% por transação, com cada operação analisada separadamente. Na prática, a Nvidia garante parte do valor de revenda dos processadores ao fim do contrato, e o teto de 25% delimitou um risco que até então parecia aberto.

O efeito no mercado de crédito apareceu na hora, com o custo da proteção contra calote recuando das máximas.

O seguro da dívida da Nvidia para cinco anos recuou até 5 pontos-base, para 72,11, e o prêmio dos títulos com vencimento em 2056 estreitou para 113 pontos-base, segundo dados da ICE Data Services citados pelo Briefs.

O teto de 25% que acalmou o crédito

A confusão começou quando a Nvidia revelou parcerias com gigantes como Apollo, BlackRock e Blackstone, além de Brookfield, Goldman Sachs e KKR, para estruturar o crédito de data centers de IA com meta de mais de US$ 500 bilhões. O desenho foi chamado de financiamento circular, com a empresa bancando os próprios clientes.

O temor não era novo. Gigantes da nuvem como Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft acumularam dívida pesada para construir data centers, e o custo do seguro dessa dívida subiu nos últimos meses e arrastou a Nvidia para o centro da apreensão. O padrão foi listado como risco sistêmico pelo FMI e pelo Banco de Compensações Internacionais, e vendedores de curto famosos, como Jim Chanos e Michael Burry, compararam a estrutura ao que antecedeu a crise de 2008.

Huang defende que o chip passou a funcionar como um ativo financeiro, com valor de revenda e liquidez para sustentar um empréstimo.

Enquanto o mercado digere o esclarecimento, outra frente da companhia ganha espaço, a divisão de processadores que a Nvidia quer transformar em novo motor de receita.

A nova aposta nos processadores

A Nvidia apresentou no trimestre passado o processador Vera, fabricado para cargas de IA agêntica, e Huang estima que a linha abre um mercado de US$ 200 bilhões, com cerca de US$ 20 bilhões em receita esperados ainda neste ano fiscal. Para Lip-Bu Tan, executivo-chefe da Intel, a proporção entre CPUs e GPUs usadas em inferência já caiu de uma CPU para cada oito e caminha para a paridade, e o Bank of America projeta o mercado de CPUs cinco vezes maior até 2030, de US$ 35 bilhões para US$ 170 bilhões.

No núcleo do negócio, os números seguem gigantes. A divisão de data centers gerou quase US$ 194 bilhões no ano fiscal de 2026, e o consenso de Wall Street compilado pela Visible Alpha projeta US$ 368 bilhões no ano fiscal de 2027 e US$ 531 bilhões no seguinte.

Huang prometeu que as plataformas Blackwell e Vera Rubin vão gerar, juntas, US$ 1 trilhão em receita entre 2025 e 2027, e a meta passou a ser observada de perto depois do susto no mercado de crédito.

O próximo teste vem em 26 de agosto, quando a Nvidia divulga os resultados do segundo trimestre fiscal. A fala do CEO trouxe alívio ao mercado de crédito, mas o balanço vai mostrar se a meta de US$ 1 trilhão continua de pé diante das contas que financiam a própria demanda por chips.

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