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Transação de bitcoin paga US$ 103 mil de taxa e não envia nada

Uma transação de bitcoin pagou 160,3 milhões de satoshis de taxa na madrugada de quarta-feira, o equivalente a 1,6 bitcoin e cerca de US$ 103 mil no momento em que foi minerada, no bloco 962.142 da rede, segundo dados do explorador de blocos. O montante supera o valor de um apartamento médio em várias capitais brasileiras.

O detalhe que chamou atenção da comunidade é que a transação não enviou valor nenhum. O registro saiu do endereço remetente e foi direto para um campo de dados da blockchain, e o caso ganhou destaque nas redes sociais na noite de quarta-feira.

Transação de bitcoin com taxa de 160.343,885 sats no mempool.space
A transação no explorador mempool.space: taxa de 160.343,885 sats (US$ 102.923,14) e a linha do tempo RBF com seis reenvios. Fonte: mempool.space

Por que a transação custou tanto

Satoshis são a menor fração do bitcoin, cada unidade vale 0,00000001 BTC, e 100 milhões deles formam 1 bitcoin. A taxa paga, de 160.343.885 satoshis, foi consumida inteira de um único endereço, que tinha exatamente esse saldo. A carteira não usou o bitcoin para pagar ninguém, o valor serviu apenas para registrar uma mensagem na rede.

Esse registro usa um recurso chamado OP_RETURN, um campo onde a blockchain aceita dados arbitrários junto com a transação. Quem envia uma operação com esse campo grava uma informação permanente no histórico do bitcoin, pagando a taxa correspondente ao minerador.

O que a transação registrou foi um código curto de oito caracteres hexadecimais, sem significado público conhecido. A operação foi confirmada e já faz parte do histórico da rede para sempre, e é exatamente esse tipo de uso que o recurso permite, gravar qualquer coisa, desde mensagens simples até obras de arte digitais, ao preço da taxa. No caso de quarta-feira, o preço foi o mais alto da semana.

A dimensão do valor pago fica clara na comparação. A taxa média de uma transação de bitcoin hoje está em torno de US$ 0,27, e a operação de quarta-feira pagou cerca de 380 mil vezes esse valor.

Em salários mínimos brasileiros, os US$ 103 mil equivalem a mais de 50 meses de trabalho de quem recebe um salário por mês.

Casos assim não são inéditos, mas são raros.

Em novembro de 2025, um usuário pagou cerca de US$ 105 mil de taxa para enviar apenas US$ 10 à corretora Kraken, valor que também era pouco menos de 1 bitcoin na época. O novo caso supera o anterior em quantidade de bitcoin queimado, e os dois entraram para a lista das maiores taxas da história da rede.

Erro ou intenção

A pergunta que a comunidade faz é se foi erro ou intenção, e o histórico do reenvio dá uma pista forte. A transação saiu cobrando 6.393 satoshis por byte, e em 16 segundos o remetente a subiu seis vezes até 1.724.127 satoshis por byte, um salto de 270 vezes, segundo a linha do tempo do mempool.space, que marca o pagamento como 39 mil vezes acima do necessário. Um deslize ao digitar a taxa manualmente em uma carteira pode custar uma fortuna, e a pressa em forçar a entrada da transação reforça a hipótese de engano, já que a maioria das carteiras avisa quando o valor digitado está fora do normal. Por outro lado, a precisão do valor, exatamente o saldo do endereço, sugere que alguém sabia exatamente o que estava fazendo.

O minerador que confirmou o bloco recebeu os 1,6 bitcoin como recompensa extra. A rede segue funcionando normalmente, e o caso já circula entre curiosos e vira alerta. O bitcoin não tem como devolver taxa paga, e o valor queimado em oito caracteres não volta mais.

⚠️ Aviso importante

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