Calmaria do bitcoin em dois anos deixa o mercado sem direção
A volatilidade do bitcoin encolheu até o nível mais baixo dos últimos dois anos, e o mercado lê o aperto como a calmaria antes de um movimento grande. As bandas de Bollinger, o indicador que mede a intensidade da oscilação do preço, estão com largura de 3,8%, a menor leitura do período. O analista Axel Adler Jr vê uma compressão forte, e a história da métrica mostra que apertos desse tamanho costumam terminar em expansão violenta, com o preço andando muito em pouco tempo. O que falta é saber para onde.
O bitcoin negocia perto de US$ 63,6 mil, com a resistência de US$ 65 mil a US$ 67 mil ainda no caminho.
A zona de oferta segurou o preço na semana passada, quando o ativo tocou US$ 65,2 mil no domingo e devolveu o ganho. A leitura baixista ganhou reforço com a virada dos fluxos de ETF na segunda-feira, o primeiro dia de retiradas depois de cinco sessões de entradas. Mas é o silêncio do preço que domina o gráfico agora.
Nenhuma tendência, nenhum sinal direcional.
O ADX, indicador que mede a força de uma tendência, marca 11 pontos em uma escala em que 25 já indica movimento consistente. As linhas de alta e de baixa do indicador andam coladas, sem nenhum dos dois lados ganhar vantagem. O quadro técnico é o de um mercado que parou de decidir, e a falta de direção costuma virar o combustível das próximas semanas.
O estouro vem, só não se sabe o lado.
O debate do fundo do ciclo
Para quem espera o chão, o argumento baixista ganha corpo nos dados on-chain. A métrica aNUPL, que ajusta o lucro e o prejuízo não realizado dos detentores, mostra os holders de longo prazo no vermelho, com o indicador abaixo da média de mercado nos dados da CryptoQuant. Em ciclos anteriores, esse tipo de estresse se aprofundou antes do piso verdadeiro, e a leitura atual ainda não alcança as profundezas dos fundos passados.
Ou o mercado ainda não sangrou o suficiente.
A métrica deixa dois cenários na mesa. No primeiro, o estresse precisa cair mais para o preço encontrar o fundo de verdade. No segundo, a base de detentores mudou, com tesourarias corporativas e investidores institucionais absorvendo oferta antes que a queda se aprofunde. Se o bitcoin perder US$ 60 mil e o indicador cair junto, o primeiro cenário ganha força. Se a métrica voltar a subir, o estresse dos holders fica para trás.
O mercado só vai saber a resposta quando o preço voltar a andar.
A calmaria em dois anos não diz se o movimento será de alta ou de baixa, só diz que ele vem. O jogo agora é de espera, com o preço comprimido entre US$ 60 mil e US$ 65 mil e os indicadores apontando que a decisão está perto. Quem espera o fundo acompanha o aNUPL, quem espera a retomada acompanha a zona de oferta, e os dois lados olham para o mesmo gráfico sem saber quem está certo.
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