DeFi

O staking da ether.fi quer virar o banco do dia a dia

A ether.fi, um dos maiores nomes do staking da Ethereum, quer ocupar o lugar do banco tradicional. O update desta quinta transforma o aplicativo em super app financeiro, com ações tokenizadas, empréstimos contra o portfólio e mais formas de pagamento.

A empresa batizou a leva de Summer release e entregou tudo de uma vez, para usuários novos e antigos. A proposta cabe em quatro verbos, render, negociar, emprestar e gastar.

O que mudou hoje

A novidade mais estrutural é o crédito. Quem tem ativos parados no app pode tomar um empréstimo contra o portfólio inteiro, sem vender nada, usando um mercado da Aave criado no Optimism para essa finalidade. O custo gira em torno de 4% ao ano, sobre o Aave V4.

O pagamento ganhou caminho direto. A parcela devida pode ser quitada com o saldo do cartão Cash, o que transforma o crédito em extensão natural do dia a dia, em vez de operação separada do aplicativo.

Do outro lado do balcão, chegaram as ações. O app passa a operar versões tokenizadas de ações e de metais pelo xStocks, parceiro externo, mas o acesso fica fora dos Estados Unidos e de alguns outros mercados por limitação regulatória. Em mercados com enquadramento definido, a entrada está liberada.

A porta de entrada do dinheiro foi alargada. São mais de 30 moedas para entrar e sair do app, com Apple Pay, Cash App e LemonPay entre os novos métodos.

O cartão de débito passou a devolver 3% de tudo que o usuário gasta, e a receita dos produtos alimenta recompras programáticas do ETHFI, o token nativo. O programa é automático e ligado a cada linha de receita.

O tamanho da base explica a ambição. A ether.fi diz ter cerca de 500 mil usuários e já emitiu cerca de 150 mil cartões, escala rara no setor.

Os números on-chain acompanham o discurso. Segundo dados da DeFiLlama, o contrato de staking da ether.fi guarda US$ 3,3 bilhões, e o mercado de empréstimos dedicado, que existe desde antes do update, já movimenta US$ 169,7 milhões. Somando os módulos de liquidez, o ecossistema passa de US$ 3,9 bilhões, um tamanho que coloca o protocolo entre os maiores do staking líquido da Ethereum.

O mercado reagiu. O ETHFI operava a US$ 0,43, com alta de quase 13% em 24 horas, e o ether a US$ 1.887, estável, segundo a CoinGecko.

A engenharia explica parte da virada. A ether.fi migrou para a rede principal do Optimism, onde as taxas caem por ordens de magnitude, o que viabiliza operações pequenas e frequentes como as de um cartão, com recompensas e stablecoins no mesmo produto.

Em vez de um protocolo de crédito próprio, a empresa encaixou o Aave V4 na estrutura. O fundador da Aave, Stani Kulechov, disse que a integração é o maior avanço da ether.fi até aqui.

A escolha resolve o problema do começo frio. A xStocks entra em um app com uma base de contas já formada e ativa, em vez de abrir uma loja vazia.

O jogo dos super apps

A ether.fi não está sozinha nessa corrida. Outros protocolos de rendimento empurram seus aplicativos na direção dos neobanks, em busca de receita recorrente e de usuários que não vivem de criptomoedas.

A meta declarada pelo CEO Mike Silagadze é assumir o lugar do banco para a maioria dos usuários. O update dá forma concreta à promessa, com crédito, cartão e investimentos no mesmo lugar da carteira de staking, e o discurso deixa de ser promessa para virar funcionalidade.

Falta uma peça central para o plano se completar. Ações tokenizadas ficam fora dos Estados Unidos, o maior mercado de varejo do mundo.

Há ainda a dependência técnica. O crédito roda sobre o Aave e o Optimism, e uma mudança de rota afeta o produto inteiro, uma concentração de risco que o banco tradicional não conhece.

Para o DeFi, é um teste de maturidade. Um protocolo de bilhões vende conta, cartão e crédito como pacote, disputando o usuário com fintechs.

O update transforma a ether.fi no teste mais visível dessa promessa. Se o app provar que a receita funciona sob regulação e risco, o super app deixa de ser exceção e vira o padrão da próxima geração do DeFi.

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